CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

OS FILHOS DE MOISÉS


Uma leitora com ganas de ser narradora onisciente 
 Por Rita Lavoyer


Ao adentrarmos as labaredas das relações interpessoais com as quais cada personagem da obra Os Filhos de Moisés está envolvido, incendeiam-nos  as táticas e os recursos verbais – esquematicamente pensados para cada peça que constitui essa Fortaleza – persuadindo-nos a desconstruirmos  convicções,  que há muito nos impingiram, questionando:  –  Existe o pecado? O bem que vence o mal de fato é bom? Qual o limite de uma reputação  para que a traição, assim denominada, receba tal alcunha?  Há ficção que se sustente distante das cinzas da realidade?  Em se  havendo uma obra literária, ao protagonista  compete-lhe o título de herói com final feliz?
 Além da percepção que podemos obter sobre as Sesmarias – terras cedidas aos agricultores  na época do império –, o romance traz a rasgo,  como verdade inconsútil,  uma história dentro da qual  Moisés, órfão de pai ainda jovem, travou  batalha com o padrasto Bento e os três filhos que ele trouxera do primeiro casamento, sendo um deles, Casimiro,  seu antagonista, futuro esposo de Sinhaninha.
 Mas batalha maior, Moisés – cujas reações e atitudes frente aos universos interior e exterior, que servem de centro unificador da narrativa –, travaria com as circunstâncias que abateram seu coração. Os temores e os obstáculos que o envolveram acentuavam-me as expectativas de que ele se daria bem em algum investimento. Tornei-me faminta por mais saber... 
Desconstruindo paradigmas de moça recatada e boazinha,  Anne Louise (Sinhaninha), a poetisa, não se furtando da oportunidade de vingar-se do esposo Casimiro e do sogro Bento, o fez com maestria, no momento oportuno. Antes, gerara um filho de Moisés, engolindo as consequências desse romance secreto, permitiu-se um futuro promissor, agarrando-se à oportunidade que a vida lhe veio a  proporcionar após enviuvar-se.  Novamente grávida de Moisés desposou o tio  materno dele,  o generoso Arão.  Este, ciente da situação angustiosa de Sinhaninha, dispôs-se a registrar os filhos dela como seus, fazendo-os  seus herdeiros, portadores de seu nome.
Moisés amargou o não ouvir seus únicos filhos homens   - que seriam continuadores de seu nome familiar -  chamá-lo “pai”, enquanto suas muitas filhas, havidas com Benedita, sua esposa e irmã adotiva de Anne Louise,  corriam para os seus braços de homem rústico, de coração aniquilado pelas desventuras que a autora de Os Filhos de Moisés soube tão bem construir.  
Enquanto leitora, desejei-me, em alguns  momentos,   narradora onisciente para,  a cada suspense que me acometia, controlar as artérias dos acontecimentos,  cujo fluxo narrativo fora influenciada, envolvida, tendo os  sentimentos devorados. Permitindo-me destinatária deste romance, arremessei-me  para o tempo e o  espaço, personagens  importantes  daquele império  colonial que o compõe, achando ali fragmentos de muitos fatos que permeiam nosso presente e abrem caminhos para novas histórias. 
Assim, assisti o destino, bastante cruel, de outros personagens que usufruíram seus infortúnios  advindos dos maus sentimentos deles, em detrimento da justiça, uma vez que, para eles, a justiça tardava e, quando não, surpreendentemente, chegava a cavalo, ora meio de ataque, ora instrumento de combates  e defesas.  
À criadora, na sua função de exercer a arte, exaltando-a no gênero e estilo que lhe competem,  cabem-lhe os méritos desta  premiação  promovida pela Secretaria de Cultura de Araçatuba, através do edital de “Concurso de apoio a projetos de fomento à publicação de livros inéditos no município de Araçatuba”.  
Vocês, leitores, estarão marcados, de alguma forma, quando abrirem Os Filhos de Moisés, não querendo mais fechá-lo até que cheguem à Fortaleza, entendendo os desfechos dos questionamentos, conservando na memória as imagens dos objetos que se nos apresentam literariamente, sem intenções, mas  que nos farão gerar outros objetos culturais, posicionando-nos assim diante de um processo fertilizador, tirando-nos da posição de simples leitores para a de autônomos  cocriadores: contribuição  de alto grau que a boa arte nos proporciona.
Um romance moderno, histórico, social, psicológico e regionalista,   com narrativa esteticamente bem elaborada  para nos seduzir  a todos  enquanto entretenimento e aprendizagem. 
 Permitam-se também, destinatários desta produção, depois  adentrem A Rua da Liberdade, 44, desta  mesma autora, para continuarem   ligados à boa literatura produzida em Araçatuba, por Maria Luzia Villela.


Rita de Cássia Zuim Lavoyer 

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