CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


terça-feira, 22 de novembro de 2016

PERDOEMO-NOS... O ALZHEIMER NÃO PERDOA


Hoje, ainda consciente de que acumulo  lembranças e elas estão presentes nas histórias que me compõem, aproveito esta oportunidade para lembrar-me de que preciso pedir-lhe perdão, minha mãe, pelas tantas vezes que a vida ofereceu-me momentos com a senhora, podendo usufruir das suas histórias e experiências, mas não a quis ouvir. Perdoe-me enquanto ainda podemos  nos lembrar dos nossos sentimentos. Perdoe-me, amanhã também, caso eu me esqueça de onde vim.  
Hoje, ainda sabendo distinguir  amor fraterno de outros sentimentos, vivenciando-o de forma não genuína,  aproveito esta oportunidade para lembrar-me de que preciso pedir-lhes perdão, meus irmãos, pelas minhas ausências nas histórias que compuseram e, mesmo assim, não se esqueceram de me registrar nelas, mantendo-me personagem do dia a dia de vocês, sem  que eu, sequer, lhes emprestasse o lápis para tal feito. Perdoem-me enquanto ainda podemos nos lembrar dos nossos sentimentos. Perdoem-me, amanhã também, caso eu me esqueça em qual parágrafo da  nossa história eu posso ficar.

Hoje, ainda com força materna para auxiliá-los nas trajetórias que me competem orientá-los, aproveito esta oportunidade para lembrar-me de que preciso pedir-lhes perdão, meus filhos, pelas minhas indelicadezas diante das várias  fragilidades que me apresentaram e eu, ainda mais frágil,  armei-me de forças ridículas para mostrar-me superior a vocês. Perdoem-me amanhã também, caso eu me esqueça dos seus nomes e de suas origens.

Hoje, ainda com os encantos da mulher que deseja e é desejada, aproveito esta oportunidade para lembrar-me de que preciso pedir-lhe perdão, meu esposo, pelas minhas  controvérsias diante de seus argumentos, impondo-lhe um ponto final,  pois a polêmica por mim instaurada  devia ser ouvida por todos  em silêncio! Silêncio que  foi quebrado pelo seu perdão. Perdoe-me enquanto ainda posso me lembrar de que não me arrependo do juramento que  lhe fiz... e levo você, pleno, em meu coração... Perdoe-me, amanhã também, caso eu venha  perder-me de mim.

Hoje, meus amigos, ainda com a vivacidade que me empolga e tomada de lembranças dos nossos momentos  agradáveis ou não, aproveito esta oportunidade para lembrar-me de que preciso pedir-lhes perdão pelas minhas ausências e pela apoucada manifestação do meu prazer perante as suas vitórias e da minha dor diante dos  fracassos. Mas confesso-lhes: das vezes que tentei acertar com vocês, as poucas que deram erradas fugiram ao meu controle. Perdoem-me também  por esses meus fracassos de amiga atrapalhada e garanto-lhes que sou-lhes muito grata por comemorarem comigo minhas vitórias.  Se amanhã eu não me lembrar de vocês, peço-lhes apenas compreensão. Fui-lhes o que pude ser, da mais sincera forma que ainda posso ser.

Aproveito o hoje para pedir-lhes perdão, seres do meu ser: seu José, dona Maria, irmãos, jovens alunos e outras pessoas mais.  Se em algum momento eu os ofendi, pronunciem-se antes que o Alzheimer – desejo que nunca -  comprometa nossa conexão e degenere nossa conduta, igualando-nos, impiedoso, na crescente e infeliz estatística em que ele desponta vitorioso como verdadeiro ladrão de  histórias,  de  identidades e de sentimentos.

Se amanhã o Alzheimer me atacar – não quero isso!- não me lembrarei de vocês, não me lembrarei dos nossos momentos bons e ruins. Não me lembrarei de pedir-lhes perdão. Também não me lembrarei o que significa perdoar para perdoá-los de algo que nos distanciou. Será bruma, olhos perdidos ... onde? Talvez no infinito de Deus...

Dizem que não combina justificar o pedido de perdão. Mas justifico-me porque posso  me esquecer das razões que me levaram a pedi-lo.  Perdoemo-nos: ao próximo e a nós mesmos, porque o Alzheimer não está perdoando ninguém.    
Rita de Cássia Zuim Lavoyer


Um comentário:

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Rita,reafirmo a opiinião já expressa em outro post seu: os casos parecem aumentar assustadoramente nos últimos anos...