CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.


terça-feira, 11 de abril de 2017

UMA MÁQUINA PARA A POESIA

Uma máquina para a Poesia
Rita de Cássia Zuim Lavoyer
Máquina, afirmam que Poesia é a “antítese de lugar comum”. Estou aqui a maquinar mil coisas e ver se um verso, pelo menos, vingue. Tenho pros dedos teclado com muitas funções, pra preencher a tela do meu ringue. Busco um lugar especial, onde eu possa abrigar meus escritos,   meu fardo. Mas, no amontoado sem ordens, não acho nenhum!  Do mundo das letras já beijei a lona e aprendi que o Universo já é lugar comum.

Como achar tinta e enxugar meus prantos (por enquanto, falta-me expressão distinta), s’eles  despertam sinceros, transparentes?  Como é difícil usar palavras apenas, se imagens múltiplas brotam em minha mente. Farto-me de letras desbotadas; porque as nobres - ainda não as tenho -, que se sobressaiam nesta saia justa, e que se distingam neste meu engenho.

Tenho vontade de ser uma máquina, porque poeta é ter passado, sentimentos, é gente que não traz em si o dom do esquecimento. Tenho vontade de ser toda em lata, produzir poesia sem cheiro de mofo, porque de carne, pele e pelo sofro.  Tenho vontade de ter um motor com ritmo bem particular. Que o neologismo lhe encha o sistema, pra que o motor me possa pulsar.

Tenho vontade de ter ombros fortes, pra poetar o mundo e não senti-lo. Que minh’estrutura não se vergue às críticas e minha máquina nunca perca o estilo. Tenho vontade de ser bem moderna, iluminista, impedir que meu  lírico se expresse mais. Ser programada para acertar a métrica e ser vanguarda pra outras mais originais.

Quero ser máquina porque ela é o perfil do homem, e o homem é uma ilusão real. O ritmo, os versos, as estrofes serão untados com o óleo amniótico que lhes for peculiar.  Quero nas veias graxa, lubrificante e meus parafusos os quero signos para semiótica.

Quero ser máquina com voz e tweeter, porque silêncio é lugar comum,   e nunca mais me ouvir dizer que, com as letras, viverei melhor.  Quero que meu automático não perca a cadência.  Quero isso, porque ser máquina é obediência.  Quem sabe a máquina seja a nova ferramenta para engrenar novo estilo às poesias? Porque máquina é feita para acertar e, nesta arte, geralmente eu erro. Quero ser maquina com estro bem vasto, porque, comigo, eu já não me basto.
  
Quero ser máquina, ser um avatar. Desfuncionar clichês e desmontar expressões surradas. Ter GPS para à Poesia mostra-lhe o destino, onde ela possa parir o que  traz de mais divino. Quem sabe um dia minha poesia vingue, pegue seu rumo, saia de mim e encontre um mundo com emoções inteligentes... E que seu fruto seja abençoado e povoe um infinito ainda não inventado.

Não posso prender o que me foi dado livremente. Seria, meu e dela, o fim. E se ela se for, e este meu fado, um dia, for falado, que ela o ouça e queira retornar. Vai m’encontrar com ombros tão cansados, suportando o fardo dos meus sonhos sonhados.

Se quando máquina eu for obsoleta, que a evolução da língua me faça humana. Com um metal risque, sobre minha ferrugem, uma Lua nova: inspiração pr’um coração que ama.

Se acaso isso acontecer um dia, que minha poesia, então, me enterre em si. Encontre a máquina que um dia eu fui e descanse sua beleza sobre tudo qu’eu  consegui sentir.

 Mas... Se a poesia não me quiser mais, do meu ringue desligarei a tela para qu’ela possa descansar em paz.  E se quiser, de fato, encontrar um lugar especial onde louvem sua originalidade, terá que, comigo, voltar a fazer par. Aí, sofrerá, de novo, na minha lavra.
Para ela criarei a liberdade: lugar excêntrico por natureza. Lá irei  colocá-la. Nesta feita, as antíteses lhe farão sala. Por ela colherei o milagre poético: plantar matéria e espírito com uma só palavra.

Porém... Se nem eu, nem a máquina, atingirmos esta meta, registro-me aqui: deixe minha prosa aberta e, sobre mim, um alerta: aqui jaz este alguém comum que, desobediente, não desistiu de ser poeta.  


2 comentários:

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Rita, você é uma máquina de fazer poesia - mesmo que em prosa. Parabéns, abraços!

Rita Lavoyer disse...

Eita, Marcelo. Você que é uma potência no seu fazer literário. Obrigada.