Quando a encontrou não conseguiu tocá-la, temendo miragem. Ajoelhou-se à sua margem; ela, cristalina, o refletiu. Ele viu-se nela. Miraram-se naquela realidade.
Levantou-se e caminhou contra o fluxo, alcançando aquela nascente. Eram gotas que pingavam do pé de uma margarida vermelha. Sedento, esticou a sua mão e a tocou. Àquela leve carícia as gotas secaram. Os suaves fios da água foram desaparecendo dentro da areia quente do deserto.
Desesperado, arrancou a flor até a raiz e guardou-a em seu peito, dando-lhe guarida.
Desidratada, definhou-se. O homem, para não vê-la morta, comeu-a com dó.
O deserto desapareceu diante daqueles olhos inundados num mar de lágrimas vermelhas.
Renovada dentro daquele corpo, a margarida ordenou-lhe:
- Vá em frente!
Ávido, as suas lágrimas secaram e aquele vermelho escaldante foi abrindo-lhe o canal.
Temendo ilusão o homem recuou. Sem ceder uma polegada àqueles delírios,
Rita Lavoyer






