CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

quinta-feira, 22 de julho de 2010

BATATAS PODRES



"Não necessitam de médicos os que estão sãos, mas sim os que estão enfermos.” _ Jesus. (Lucas, 5:31.)

Ouvia muitos adultos dizerem, quando eu era criança, que uma batata estragada dentro de um saco acaba estragando as boas.

Como eu não consigo me safar dos meus afãs, a batata insistiu em fritar na minha cabeça. Não havia como eu me acalmar diante de tantas batatas que me consumiram em um determinado momento. Recorri à geladeira. Sabe aquele dia que não encontramos nada na geladeira, nem uma batata? Pois é. Foi assim mesmo. Eu não tinha uma batata para acalmar a minha angústia. Fui ao mercado, daquele do tipo 'super', a procura de uma batata que me mostrasse o que eu precisava entender.

Na banca, as mais belas e brilhantes saltavam aos meus olhos suplicando: “leve-me, consuma-me, nasci para isso.” Cada uma pedia por si. Pois é, não eram essas consumíveis que eu queria. Mexi, derrubei, catei, e gostei de ver algumas caindo e se machucando no chão.

_ A senhora precisa de ajuda? – Perguntou-me educadamente, porém assustado, um funcionário daquele setor.

_ Preciso de uma batata podre, pode me ajudar a achar uma? – Respondi de súbito.

O olhar estranho do rapaz sobre mim mostrava o que realmente uma batata podre representa a alguém.

_ Senhora, as batatas podres não vêm para a banca, nós as jogamos fora. Não expomos batatas podres. Ninguém procura batata podre, principalmente para comprar.

_ Eu estou a procura de uma, moço, pode me ajudar?
_ Se tiver alguma por aqui, vai estar bem lá em baixo.

Primeiro passo da minha teoria: As batatas vistosas ficam sempre por cima. Heureca primária.
Segundo passo: Conforme vamos selecionando as mais vistosas, as rejeitadas vão descendo para aguentar o peso das saudáveis.

_ Moço, eu quero e vou achar uma batata estragada aqui.

Fui ensacando as batatas boas para sobrar espaço à minha investida, afinal louco existe para alguma coisa. Achei! Não uma, mas várias batatas com uma parte dela escurecida.

_ Moço, achei várias batatas começando a estragar...

_ A senhora vai comprá-las?

Uma pergunta tão simples me atingiu sem que eu esperasse. Por que eu compraria batatas que já estavam começando a estragar seu eu tenho à minha frente batatas vistosas?

_ Mas se elas não estivessem lá em baixo, certamente não estariam nesse estado e já teriam sido consumidas...- Tentei explicar.

_ A senhora não tem o que fazer? Observe o tamanho da banca! Desde quando batatas são vendidas, são expostas umas sobre as outras.

Percebi que o tempo do funcionário era curto e a teoria que eu ainda não tinha defendido não funcionaria ali. Separei as batatas machucadas e devolvi as ensacadas no seu lugar, afinal pessoas queriam pegá-las.

Terceiro passo: Se o pedaço estragado for cortado, poderei consumir o pedaço que ainda está bom; mas para consumi-lo terei que comprar a batata pagando pelo valor inteiro dela, boa ou não.

Quarto passo: Fui observar por que a batata estava estragada naquela parte. Notei que dentro de todas as partes estragadas havia um corte onde acumula o fungo que prolifera e acaba por estragá-la por inteira, caso a sua outra metade boa não seja aproveitada.
_ A senhora não tem dinheiro, quer que eu peça ao gerente dar essas batatas estragadas pra senhora?

Fui tentada a aceitar, mas como não sou perfeita...

_ Não, moço, muito obrigada! Passarei no caixa e pagarei pelo preço que estão pedindo por elas. Ainda há muito nelas que eu posso aproveitar.

Naquele dia a minha geladeira ficou cheia até o horário do jantar, quando eu fiz uma fritada de batatas, todos da minha família comemos, saboreamos e sobrevivemos até para contar a história.

Ah, só para encerrar, quero dizer que pode haver alguns enganos sobre teorias de batatas podres dentro de um saco. Será que os ferimentos que elas trazem no interior de suas podridões foram feitos por elas mesmas no momento em que foram colhidas?
Na dúvida, deixemos as bocas dos sacos abertas, nenhuma ferida é curada no abafamento, todos precisamos respirar.

Texto publicado no Jornal Folha da Região em 21/07/2010.
imagem internet

8 comentários:

lucidreira disse...

Que belo a comparação do ser humano com as batatas! É assim que muitos são contaminados, pela negligencia de outrem.
Abraço

laurinhando por ai disse...

Batatas e homens...será mera casualidade??!!!
Bjos Laurinha

patricia bracale disse...

Eu quero acreditar que os homens se salvam de alguma maneira.
Que todos nós temos o lado bom.
E que temos nossas escolhas.

Jorge Sader Filho disse...

Rita, admiro o modo como você sabe colocar os fatos,
Uma batata podre!
Seu simbolismo é por demais importante, pois que batatas podres estragando as demais, temos em todos os lados.
Com um texto com uma boa pitada de fantasia, sua denúncia é séria.
E eu pergunto: afinal, por que tantos assuntos sobre podridão?
Vêm de cima. Notou como Dilma, uma criminosa comum disfarçada em ideologias mente e é autoritária?
Ad summus. Aqui estaremos firmes e sem medo, para não ver nossas bocas caladas. Querem noa sufocar! ´Certíssimo, o seu texto!

Beijos,
Jorge

BLOG DA WANDA disse...

Rita,
Estou amando seus textos.Vou segui-la, sempre que puder estarei aqui. Wanda

BLOG DA WANDA disse...

Rita,
Estou amando seus textos.Vou segui-la, sempre que puder estarei aqui. Wanda

jhamiltonbrito.blogspot.com disse...

até uma batata podre tem sua utilidade. Observando-a, evitamos ser igual e tomamos providências...tem batata que veio ao mundo para ser podre e servir de exemplo.Hein! bobagem?Uai, diz-se que nada acontece sem que Deus queira.

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Seres humanos e batatas. O quanto dá pra tirar dessa mitura, heim? Maravilha de texto, Rita. Um beijo.