CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

FUI ESTUPRADA


Quando ela me chamou para conversarmos, titubeei, pois não esperava pelo chamado. Algumas desculpas eu criei para evitar o encontro, mas ela era insistente.


Não havendo como escapar daqueles convites, fui ao local marcado. Estaria lá apenas para uma conversa, como ela havia me proposto: uma conversa.


Acho que na seleção que ela fez o meu nome era o único,várias vezes repetido, dentro da sacolinha surpresa. Para falar sobre o asunto escolheu-me. Era esse o fato que me intrigava. Por que eu?


Fui muito bem recebida; ela é muito gentil. Acomodou-me em uma poltrona bastante confortável, enquanto que a dela não apresentava as mesmas características. Olhou-me fixamente e abriu um sorriso sincero que mostrava seus dentes brancos combinando com a sua tez morena.


Não demorou muito os nossos cumprimentos e balelas para abrirem o canal da comunicação. Começou a falar sobre o que pretendia, aquilo que ela, erroneamente, pensou que eu gostaria de ouvir.


Não levei papel, caneta e muito menos o meu gravador que sempre carrego na bolsa, mas fui armada com grades no peito, cadeado no pensamento e tampões nos ouvidos.


Falava com tranquilidade e expunha o que pretendia com muita clareza. Não tive dúvidas das inteções dela.


Fechei os olhos e fiquei assistindo às cenas e aos movimentos dos corpos. Não vou relatar aqui o que eu sentia enquanto ouvia. Quando tinha a coragem de abrir os olhos, respirava fundo e me perguntava: por que eu?


Contou-me o seu primeiro caso, o segundo e outras tantas vezes. Aquela polidez toda ao expressar-se comigo sobre um assunto tão delicado foi sendo, aos poucos, substituída por um soluço seguido por um tremor no braço esquerdo. Essa reação "adequada" àquela mulher , aliviou-me, sinceramente.


Aquelas atitudes delicadas, até então apresentadas, foram, rapidamente, dominadas por um surto de histerismo incontrolável. Eu assistia às cenas e aos gritos enquanto ela arrancava suas roupas e, nua, naquela sala de luxúrias e orgias, pude notar cicatrizes profundas nos seus seios, barriga, costas e quadril. E ela gritava o que você pode imaginar.


Diante daquela cena, o homem adentrou o ambiente e, sem mais demora, corri até a cozinha, apanhei uma faca e desferi-lhe golpes mortais. Cortei -o nas juntas e o joguei aos cachorros, os dele.


Eu não fui para a cadeia, ele não foi para o cemitério e a protagonista desta história é protagonista de muitas outras ficções mais bem contadas do que esta. É só olharmos a vida ao nosso redor com um olhar mais observador , que notaremos que muitas histórias são iguais: batem na trave, mas entram, fazendo a galera agitar de emoção, inclusive os cachorros.



Texto publicado no Jornal Folha da Região em 03/08/2010.

imgem da internet.








5 comentários:

Malu disse...

Que forte, Rita, esta mistura de ficção e absoluta realidade.
Despida de detalhes desnecessários,porém não menos contundente se os tivesse.
Senti-me numa descrição de Jane Austin. Tudo muito conciso e direto.
Gostei! Sempre bons posts por aqui.

jhamiltonbrito.blogspot.com disse...

Ainda bem que vc não foi para a cadeia...não suportaria ver mminha amiga naquele ambiênte. Ele e a outra, que se danassem.

Jorge Sader Filho disse...

Minha querida Rita, seu conto é assombroso! Gostei muito, já que não suporto água com açúcar.
Sinceramente. você está surpreendendo. Para cada vez melhor!

Beijos,
Jorge

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Crueza e imaginação - um estupro no bom-mocismo, acidez na medida certa. Parabéns e um beijo pra você.

Marisa Mattos disse...

Oi querida Rita..ficiçao pra mim é o retrato da realidade...Parabéns pleo conto.