CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

ISMAEL ANTÔNIO DE SOUZA


Geraldo Vandré- Pra não dizer que não falei das flores

A Argentina vem comemorando a condenação dos militares que serviram à Ditadura no país.

Eu não sei por onde ele anda, mas quero que saiba que sou orgulhosa por conhecê-lo.
Ismael Antônio de Souza, aquele abraço fraterno. Rita Lavoyer





PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DO ISMAEL

BIOGRAFIA

Ismael Antonio de Souza nasceu em 15/06/1941, Araçatuba. Filho de Francisco Antônio de Sousa, militante do Partido Comunista, e Iria Barbosa de Sousa. Conheceu a esposa Alma Ruby no Chile. Casaram-se em l7/11/72. Em 31/10/73, 22 latino-americanos desembarcaram em Estocolmo (Suécia). Entre eles, o Ismael. Lá nasceram os dois filhos do casal. Foi para Avesta. Estudou sueco. Em 1974, foi para Furulund e, posteriormente, para Svalöv . Especializou-se tecnólogo. Voltou para Araçatuba em 1983. Trabalha, atualmente, no SINDPD( Sindicato dos Trabalhadores de Processamento de Dados do Estado de São Paulo, em Campinas.
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Na escola Manoel Bento da Cruz, em Araçatuba, a liberdade era gritada na peça teatral “ Liberdade-Liberdade” cujos atores eram Paulo Autran, Jairo Arco e Flecha, Luíza Maranhão e Ruth de Souza, o que fez despertar a consciência de muitos araçatubenses, dando força aos grupos de estudantes e pessoas de esquerda que militavam na época. Muitos eram os opositores ao movimento de esquerda, entre eles, Vitor Ribeiro Mazzei.

Como orientava Leonel Brizola, na época, Ismael organizou em Araçatuba, três grupos de 11, o G11, cujo intuito era promover a reforma agrária, mas estendeu-se à educação e saúde.
Os latifundiários, sabendo da organização, montaram grupo de 22, armados com metralhadoras, desmantelando assim, o G11.

Em 1968, procurado pela polícia (DEOPS), Ismael saiu de Araçatuba e foi para São Paulo. Lá fez resistência à ditadura.

Em 23/01/69, fazendo parte da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), foi preso em Itapecerica da Serra e levado à P.E.- Polícia do Exército, posteriormente, ao DEOPS, onde ficou por 5 meses e 9 dias incomunicável, sendo torturado para revelar segredos que pudessem levar a polícia aos considerados “inimigos da Pátria”. Ismael não delatou nenhum. Do DEOPS, foi para o presídio Tiradentes e, de lá, para a Casa de Detenção do Carandiru , permanecendo por 2 meses.

No sequestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher foram trocados 70 presos políticos de maior relevância , entre eles Ismael.

Em 13/01/1971 os 70 ‘banidos’, deixando de existir como cidadãos brasileiros e levados para o Chile sem nenhum documento, escoltados pela Polícia Federal e por alguns membros do Doi-Codi.
Comandado pelo delegado Fleury, líder do comando de operação do DEOPS, em 11/09/1973, o Chile sofreu um golpe militar apoiado pelo Brasil, Argentina e EUA. Os estrangeiros exilados e asilados naquele país tiveram os seus direitos cassados.

Enquanto isso, no Brasil, com a tortura e morte de muitos militantes, as organizações de esquerda começaram a desaparecer.

As forças de repressão: exército, marinha, aeronáutica, P.E. DEOPS se voltaram para desmantelar o Partido Comunista que não se armara e nem tivera propósito de guerrilha.

Em Santiago(Chile), 700 pessoas, entre eles Ismael, ficaram 2 semanas na embaixada argentina que lhes prometeu asilo, mas o negou posteriormente. Dali , foram levados para a Argentina e o hotel, para eles reservado, estava cercado com tanques do exército, em cada quarto um carabineiro com fuzil automático nas mãos para pôr medo.

Ismael, sob ameaças e sem alimentação alguma, foi interrogado das 23h às 7h do dia seguinte pela Polícia Militar da Argentina, que estava, também, às vésperas de sua ditadura. Os “banidos” só conseguiram sair de lá com habeas corpus impetrado pela O.A.B. de Buenos Aires.

Em 1973, os exilados pediram asilo político à embaixada da Suécia, que lhes foi concedido.
Voltava para o Brasil em 1983. Quem fez a sua hora e não esperou acontecer. Ele, Ismael Antonio de Souza, representante da esquerda araçatubense daquele Brasil.

Por Rita Lavoyer

Crônica em homenagem a um araçatubense que fez história no livro Nos trilhos do centenário – Passageiros de Araçatuba. Ed. Somos, 2009.

4 comentários:

Cecilia Ferreira disse...

Dizem por aí que Brizola, fez acordo com os traficantes cariocas, até então restritos aos morros. Abrir-lhes-ia também as orlas praianas e a cidade um dia maravilhosa, caso bandidos e comparsas garantissem-lhe a eleição.
Gente maldosa e fofoqueira, não?
Dizem isso só porque o Rio da minha infância, após o governo do citado político, desde então não é o Rio da minha infância.
Os bocudos ainda dizem que os outros políticos (esses, de hoje) aprenderam com ele e que Leonel Brizola fez escola.

Rita Lavoyer disse...

Olá, Cecília!
Muito obrigada pela sua participação no meu blog.

Muito me agradou entrevistar o senhor Ismael, pessoa que representa uma pequena amostra dos milhares que lutaram contra a ditadura no Brasil, mas que não tiveram a mesma sorte para contar sobre o que passaram, porque foram torturados até a morte. Mostrou-me fotos, registros, recortes de jornais e uma infinidade de outros documentos que me deixaram maravilhada com a história dele.
Felizmente, ele sobreviveu àquele período escuro do nosso país, para que eu tivesse a oportunidade de conhecê-lo.
Muitas coisas são ditas por uns, outras tantas ouvidas por outros.
O importante é que os fatos relatados nesta crônica foram ditos pela fonte viva, o próprio personagem homenageado: Ismael.
Grande abraço.
Rita

Ventura Picasso disse...

Como tantos que doaram, não só a liberdade, mas a própria vida, Ismael um ser humano inigualável. Hoje ele mora em Campinas SP.
Valeu Rita: É preciso não esquecer nossas flores!

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Vida de bravura e idealismo, que merece o respeito de todos os brasileiros. Parabéns ao Ismael e à talentosa autora da crônica em sua homenagem. Um beijo, Rita.