CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


quarta-feira, 13 de março de 2013

RETALHOS DE UMA HISTÓRIA - opine.

 
Leitor, na sua opinião este texto é uma crônica ou um conto?
 
É UMA CRÔNICA!
 
 




Quando eu lia os textos dela, distinguia em cada um deles a história ou notícia que pretendia contar. Ele era de chegar na hora certa, o jornal, e a leitura era degustada ao aroma do café. Minhas mãos agarravam as folhas; meus olhos, as letras. Na boca, o pão mastigado com os tipos explícitos daquela minha especial. Corria ao ponto de ônibus refletindo sobre os parágrafos tipografados naquele papel. No trajeto, as análises da minha lida, digerida ao ponto máximo para que eu pudesse inteirar-me do contexto. Sentia-me substanciado com as informações que ela me fornecia. Elas me confortavam naquele banco duro do ônibus.

Virava-me para o passageiro ao lado e puxava um assunto sobre o tema que havia lido, explicado deliciosamente por aquela que, de forma sábia verbalizava o dia a dia. Eu lia por diversas vezes o mesmo texto, era assinante assíduo do matutino e leitor voraz dos trabalhos dela. A cada dia, um algo mais era acrescentado ao meu leque de conhecimentos que ela me havia aberto, e com o qual eu me aprazia durante toda a jornada, até que chegasse ao meu destino. Descia do ônibus conversando em voz alta com as palavras apreendidas.

Os transeuntes me observavam com olhares de deboche. Eu parava sempre diante de um ou de outro e puxava assunto sobre o que havia lido durante o café da manhã. “Hoje ela escreveu sobre o assunto tal...” E dessa forma eu ia parando os passantes que ignoravam conhecer aquela a quem eu tanto admiro.

Lia-a conseguindo sentir cada expressão dela, o que me possibilitava conhecer-lhe a alma.

Talvez escrevesse primeiro em uma folha de papel, a lápis. Depois ia ao jornal e os datilografava. Assim eu a imaginava escritora.

Não havia um retrato dela. Apenas um desenho em preto e branco estampado naquele espaço de papel tipografado me foi suficiente para traçar o semblante feminino de quem me abastecia de informações durante os meus cafés da manhã.

Recortes de jornal amarelados compõem um arquivo do dia a dia de quem, por vários anos escreveu sem conhecer os seus leitores. Retalhos dos recortes eu os trazia na lembrança e cada qual, ao seu formato, conseguia encaixar completando um mosaico. Tornaram-se todos uma obra. Detalhes tão precisos fizeram-me decifrar a essência daquela minha escritora preferida. “Ama-me”, assim eu a lia.

Mas eu já a amava. Aqueles códigos, por mim decifrados, deram-me segurança para ir procurá-la. Prudente, esperei que o emocional se acomodasse. Não me contendo mais por tê-la traduzido através das minhas leituras, ao meu estilo, uma carta a ela enderecei:

“Minha senhora. Há muito eu a leio e a admiro. Com as informações que me passa diariamente, consegui me firmar nos assuntos, outrora desconhecidos por mim. Eu a espero todas as manhãs. O jornal, se eu o abro, é apenas para lê-la. Eu a acompanho ao longo da sua carreira, se assim me permite, quero dispensar o ‘senhora’, e eu bem sei o quanto seus trabalhos vêm recheados de sentimentos. Conheço-os e sei o quanto eles são fortes e compatíveis aos meus. Os seus escritos eu os tenho todos arquivados e deles consegui ver a moça que vem por trás da escritora. Não sei se o correto é escritora ou cronista, mais adequado ao seu estilo seria artista, pois consegue promover a arte com suas letras. Amo-a tanto quanto pedes para ser amada. Amo-a há muito, muito tempo. Ainda que o jornal se extinga, que as letras se calem eu não a deixarei cair no esquecimento dos seus leitores, caso isso venha a acontecer, espero que nunca. Hei de honrá-la, pois é você a razão inspiradora das minhas linhas secretas. Confesso: às vezes, rascunho algumas idéias, mas longe, bem longe estou de chegar à sua perfeição. Precisava escrever-lhe para dizer o quanto aprendi com o seu trabalho. O importante agora é que eu consegui, com essas palavras que aprendi lendo-a, dizer-lhe que eu a amo, minha escritora preferida”.

Não sabia qual seria a reação dela e nem se haveria resposta. Mas houve. Ela entrou em contato comigo. Nos encontramos uma vez, duas e outras tantas que já éramos assuntos diários naquela redação. Fui tema de algumas crônicas dela. O jornal ainda é o mesmo, mas daquela redação já não se vê mais nada igual. Está todo informatizado. Escrevo todo o meu amor na mesma máquina que ela usava para trabalhar, depois transcrevo-o para o computador.

Ela se foi. A minha querida esposa se foi, mas como havia prometido em minha carta, hoje, no espaço que pertencia a ela e que eu o ocupo, faço questão de deixar registrada toda a ternura que ainda lhe tenho. É por ela, somente por ela que me faço cronista para que, durante os cafés da manhã, os que lerem minhas crônicas saibam o que eu sinto, porque sou formado de retalhos. Retalhos de histórias escritas neste jornal por minha escritora predileta. Os retalhos das histórias e notícias escritas por ela compõem o meu corpo, e com eles aqueço-me do frio da sua ausência. Hoje, sou obra dela. O meu café tomou outro sabor.




Autoria- Rita Lavoyer



10 comentários:

Ágatha Urzedo disse...

Lindo texto, Rita. Para variar, né?! Porque tudo o que você escreve é bom. Sou sua fã. Ahhh: a professora Lúcia Piantino merece essa homenagem. Parabéns. Um grande abraço, Rita.

Rita Lavoyer disse...

Nossa, Ágatha, você leu isso? Você veio aqui no meu blog?
Muito obrigada Papai do Céu!

Anônimo disse...

Lí com o mesmo encantamento e igual emoção, desde as primeiras linhas, esta tua encantadora crônica. Uma profusão de flores sobre a cronista de tua e minha preferência. Lugar que, pela forçada ausência, hoje ocupas sem par: estrela de primeira grandeza. Com um tapete de perfumadas pétalas que teus admiradores pomos, pises firme rumo topo da literatura brasileira. Um abraço Maria Luzia Martins Villela.

Rita Lavoyer disse...

Maria Luzia, vou ali. Preciso chorar agora!

HAMILTON BRITO... disse...

Pois é, no fim acabamos todos formando numa colcha de retalhos; na constituição da minha há pedacinhos teus, da Yara Pedro, da Cecília Vidigal, do Tito Damazo, do Consa, da Lula, da Celia Vilella, do Dr.Glenn, da minha querida ainda preofessoras Maria Luzia Vilella, da minha sempre mestra Cidinha Baract, da Marianice Paupitz, da Elaine, do Canola, Picasso, da Wanilda, dos Rosalinos, da dona Emília....ad infinitum pois com todos sempre acabo aprendendo um " cadinho" mais. Mas com você, querida amiga, aprendi muito. Quando vc se for, escreverei linda crônica.Prometo.

Rita Lavoyer disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Célia Rangel disse...

Então, Rita meus olhos contemplaram um "patchwork" que deslizaram entre a nobreza de suas mãos e a inteligência emocional que a contém! Deixamos uma composição abrangente com nossas vidas para que outros dela usufruam, rejam, arquitetizem-se em passamento fugaz de sabores e dissabores! Construamos...
Bj. Célia.

Jorge Sader Filho disse...

Um grande mundo este, Rita! Fica difícil distinguir o sonho da realidade.

Abraço,
Jorge

Rita Lavoyer disse...

Olá, Célia e Jorge!
hoje, dia da Poesia, entre as crianças que me rodeiam, nas escolas, na minha morada e no meu lar , descubro que a poesia maior é o nosso olhar, este que se completa na realidade do sonho, que retalha e depois se reintegra em outras costuras, para nos completarmos parte integrante do outro.

Rita Lavoyer disse...

Ai, meu Deus! Parece que eu eestou patinando neste blog, fui arrumar uma vírgula apaguei o comentário e não sei como colocá-lo de volta.
Jesus, salva aí, vai!