CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

CANSEIRA GOSTOSA


Hoje eu me dei férias. Aliás, estava necessitada deste dia à toa. Há muito a minha casa rogava uma faxina! Corrigindo: casa, não: apartamento. Fui, pois, destemida!

Eu não sei por qual razão as convenções de condomínios não trazem em seu Artigo I, parágrafo único e irrevogável a menção: “é proibido fritar bife”. Ah, e tem mais: deveriam trazer o artigo II nas mesmas condições: “ Se for vizinho: é proibido fritar bife com alho”.

Na correria do dia a dia a limpeza acaba sendo superficial, apesar de ser pesada, com química violenta, mesmo assim a gordura impera. Hoje eu decidi: eu te mato sujeira!

Bati os olhos no relógio e soltei meu grito de largada: Força, Rita! Era meio-dia e investi contra minha inimiga. Na geladeira trabalhei com palha de aço, enquanto o cloro dissolvia o limo nos rejuntes dos azulejos das paredes. Arrastei o fogão e foi... sabe o calcanhar de Aquiles?  Pois bem, eu tenho o meu pé esquerdo. Quebrado duas vezes: a primeira  triturou o último metatarso, a segunda quebrou  no tornozelo. No carnaval fui assistir ao desfile com ele enfaixado porque caiu a mesa bem no meio dele, do pé esquerdo, hoje a porta do fogão inventou de desmoronar sobre ele. Bem feito, quem mandou  eu ter um pé esquerdo, o que é melhor: com calcanhar!

Foi aí mesmo que eu fiquei com raiva e mandei água no fogão. Subi na pia e lavei as janelas, mas antes liguei nos apartamentos debaixo solicitando que fechassem as deles. “Não pode lavar janelas, Rita! Você sabe, Rita! Não pode perturbar o vizinho!” Mas hoje podia, eu tinha que mandar a sujeira embora!

Vai daí que um filho tem que ir para casa de um amigo, a filha para o aniversário de outra. Botei o marido como motorista,  mandei enfiar o cachorro no carro e sumirem! E joguei água e o caldo escorria, cruzes! Só o cloro não basta, tem que esfregar, esfregar, esfregar... e o revestimento já mostrava brilho e o marido chegou reclamando, acho que estava com fome, afinal já passava das quatro horas e não podia entrar na cozinha. Se pediu alguma coisa nem ouvi, afinal a água faz barulho ensurdecedor quando escorre na parede. Para não se sentir desprezado começou a implicar “do” e não “com” o excesso de trabalho! Aí mesmo que eu joguei mais água! Já estava nadando na cozinha enquanto a casinha do Sansão boiava na enxurrada. Chuá, chuá!

De repente, bateu um negócio esquisito, achei que fosse fome. Preparei o prato cuja especialidade ninguém me supera: pão com manteiga! De repente o marido, da sala, começa a reclamar que sentiu cheiro de queimado, do pão né. – Vai querer? – eu gritei.

_ Não, eu quero pizza!

Pensando bem, acho que deveria ter um parágrafo nos contratos de casamento, apesar de eu não ter assinado um, nos seguintes termos: “proibido pizza no apartamento de esposa que não come pizza”.  Pronto! Não quer pão, faz regime! Hoje é dia de faxina.

Olhei no relógio: 20h25. Então eu me sentei. Olhei as minhas mãos e as vi deliciosamente em pleno bagaço. As unhas imundas estão no toco. As crianças chegaram, olharam admiradas reconhecendo uma cozinha nova, como a que eles conheciam há 2 anos.  Mas a minha canseira, hoje, foi saudável, diferente do excesso de leituras e escritas  para conclusão de  pesquisas !

Prometi a mim mesma, hoje, que todos os dias eu vou me cansar um pouco com a minha casa afinal, eu não sou dona de casa: EU SOU A DONA DA MINHA CASA  e o excesso de leituras, escritas  e pesquisas ACABOU!!!!!

Agora vou cuidar do meu pé esquerdo para depois curtir minha família: mãe, marido,  filhos e o Sansão que suportaram meu mau humor, meu estresse, meu silêncio, meu sumiço... durante 2 anos de leituras, escritas e pesquisas.

Próxima semana é outra história!
Rita Lavoyer


2 comentários:

Célia Rangel disse...

Ai que delícia! A Vida como ela é... ou pelo menos deveria ser! Como nos faz bem tais loucuras! A família agradece e nós fazemos terapia de DONA DE CASA... precisa ser muito Ph.D para se chegar a tal conclusão, Rita! Sinta-se diplomada no assunto!
Beijo.

Rita Lavoyer disse...

Célia, bom-dia! Ante o diploma, senti que um fardo sumiu da minha consciência, pela vontade imensa de fazer, que eu carregava, mas não conseguia. Vendo minha casa retornando ao aspecto de lar novamente não tem preço. Grande beijo no teu coração, Célia!