CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

MEU AVÔ, MEU VELHINHO JESUS!



Hoje, o meu avô, senhor Vitório, completa 98 anos de vida nesta passagem. Ele se encontra do outro lado, mas está do lado de cá também, aqui dentro do meu coração, bem vivo como ele merece pelo amor que lhe tenho.
Ele está tão vivo quanto no dia 23/12/1915, data do seu nascimento. O meu avô, nesta data, estava feliz. Nós saíamos correndo do serviço para pegarmos o ônibus que nos levasse a tempo de comemorarmos o aniversário dele,  o ônibus chegava na rodoviária de Auriflama lá pelas 19h30, por aí, ele estava lá, nos esperando.  A minha mãe e seus 3 filhos éramos a completude dele.  Dava tempo de comemorarmos ainda no finalzinho da noite.
O dia de Natal, com ele, era diferente. Era a comemoração do dia de Natal. Havia motivações: ele por exemplo. O nosso velhinho: pai e avô Jesus Vitório!
Não éramos dados a trocas de presentes, não havia esse costume na minha casa, a razão era a falta de dinheiro, mas também não fazia falta. Se tivesse grana, meu avô nos encheria de presentes. Era lavrador, ganha pouco.
O meu avô, nós o chamávamos de Dinho, era puro amor, mas, infelizmente, não foi amado. O amor que os filhos e netos lhe dávamos, apesar de ele ser grato e retribuir, não era o amor que ele precisava, merecia e queria.  Ele casou-se lá no início da década de 40. Minha avó, até a entendo, não o amava. Ela nunca o amou de verdade. Foi um casamento onde ela viveu ao modo dela e ele se calou. Era da natureza dele se calar.
Calava-se perante as ofensas que ela proferia contra a família dele;
Calava-se perante a comida que não lhe era servida com gosto;
Calava-se perante a roupa que não era lavada com zelo;
Calava-se perante as humilhações enquanto homem e ser humano.
Calava-se!
Viveram  casados 60 anos, separados  59 dentro na mesma casa. Eu não tiro da minha avó as  razões de ela não querer ser a esposa dele, pois só quem sabe do coração dela é ela mesma, e havia as convenções, sabemos que existiram piores do que as de agora,  mas não lhe dava e não lhe dou razões para os maus tratos ao homem com quem ela conviveu até ele partir, há 13 anos. Ela é uma boa senhora, mas não queria ser a esposa dele, pronto! O amor que todos tínhamos por ele não ia mudar o sentimento dela pelo marido.
Partiu amando, com todas as suas falhas, fraquezas, vícios com a bebida, partiu amando sem nunca ter se dirigido de forma brusca a alguém, nem a ela- sua esposa- que tanto amava.
Lembro-me de que no dia do enterro dele eu lhe pedi:
- Dinha, a senhora não vai dar um beijo nele?
Racional, como sempre, ela me disse:
 - “Eu não! Não quero ficar me lembrando disso depois!”. 
Por causa dessas palavras dela eu já chorei, mas escrevendo sobre isso, agora, vejo a carinha dela na minha memória e  dou risada da astúcia da ‘véia’ que ela foi e é! Bichinha tinhosa!
 Aquele comportamento dela partiu mais ainda o meu coração naquele dia tão triste. Não suporto assistir uma pessoa que eu amo ser mal tratada.
Enfim, hoje é o aniversário do meu avô! E como ele se alegrava com as reuniões familiares,  vou festejar em homenagem a ele. Ele merece. Eu também!
Feliz aniversário, Vitório, meu Dinho querido! Feliz aniversário, meu velhinho Jesus! 
Sua neta: Rita de Cássia

6 comentários:

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Nossa, que texto comovente. Pra lavar a alma e fazer seu velho avô chorar lá em cima. Excelente, Rita. Aproveito pra retribuir os votos de Feliz Natal lá no meu blog e os comentários tão generosos sobre meu texto. Que 2014 só traga coisas muito boas pra você, Rita! Um beijo grande deste amigo virtual.

Célia Rangel disse...

Rita!
Nos encontros da vida temos muito em comum! Você era seu avô. Comigo foi meu pai. Seu avô "Jesus"... Meu pai, José... Minha mãe, Maria... A história pode sim ser bíblica. Os nomes conferem tal valor às mesmas!
E, assim, fortalecemos nosso encontro espiritual em vida...
Beijo, e celebremos a eles que, perderam um lindo momento - o do amor!
Célia.

Rita Lavoyer disse...

Oi, Marcelo! Muito obrigada pelas considerações. Desejo-lhe muita saúde espiritual, para que o seu corpo mantenha-se com essa excelente energia e criatividade que nos sustenta, agradavelmente, com seus belos textos, os nossos finais de semana. Deus o abençõe!

Rita Lavoyer disse...

Olhe , Célia! Senti-me vitoriosa hoje. Enfrentei e ganhei uma batalha que travava há décadas com minha avó, em pensamentos e omissões. Mas hoje eu falei o que eu sentia dela com relação ao meu avô. Ela é pessoa boa, me passou grandes ensinamentos. Sou muito grata a ela por muitas coisas enfim... somos lições e aprendizado "fortalecendo o nosso encontro espiritual em vida" .

Tenha um excelente Natal. Célia!

Helcio Almeida disse...

Rita,
Um texto belissimo para festejar seu avô. Agora que também sou avô, compreendo todas as suas palavras e espero que os meus netos conservem de mim o mesmo carinho com que você agraciou seu avô. Infelizmente as minhas recordações de avós são muito fracas porque com eles quase não convivi, mas, entendo muito bem o seu carinho porque acho lindo isso. Um Feliz Natal para você e sua família.
Helcio

Rita Lavoyer disse...

Oi, Hélcio! Muito obrigada por passar aqui, ler minha dedicação ao meu bom velhinho: meu avô.
Ele não era somente isso que eu relatei. Era muito mais para cujas páginas de livros e livros não caberiam relatos. É isso!