CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


terça-feira, 17 de junho de 2014

O PÃO QUE O QUINZIM AMASSOU - Padeiro português lavando a honra.




                Joaquim Manoel, o Quinzim,  dormia cedo para acordar mais cedo ainda, tomar o rumo da padaria e  produzir, madrugada afora, os pães do mesmo jeito que o seu pai lhe ensinara. Sonhava vê-lo proprietário daquele estabelecimento, mas, como consolo, restou-lhe apenas assumir a função do pai depois que ele faleceu. Esqueceram-no sozinho naquele ofício.
          O avental do Quinzim era tão branco quanto a pureza da sua alma. Exigia de si mesmo higiene profunda. O ambiente onde trabalhava era rigorosamente desinfetado por ele. Acostumou-se à solidão da labuta e não deixava que ninguém lavasse as assadeiras. Somente ele fazia, para certificar-se de que não restaria nenhuma sujeira que o comprometesse.  

                Os seus pãezinhos quentes enchiam, a distância,  narizes e bocas famintos por um pedaço daquelas multiplicações de alegria. Arrumava-os no cesto e o colocava, cheinho, sobre o balcão onde os fregueses madrugadeiros  o esperavam para empacotar os pedidos.     Muitos resolviam suas vontades ali mesmo, comendo o pão com manteiga derretendo, acompanhado de um pingado, outros com bastante mortadela.
           O crocante das mordidas arrepiava as salivas dos que aguardavam sua vez, babando.   Não havia pães que se igualavam aos do Quinzim.  Mas... Uma madame passou a não suportá-lo. Enfrentava a fila do pão reclamando de todos os defeitos que o padeiro nem suponha existir porque, certa vez, ele a convidou a deixar seu “pet darling” do lado de fora da padaria, evitando comprometer a limpeza do ambiente. Após esse ocorrido, passou a ser rotina, diante dos fregueses assíduos, as ofensas daquela senhora ao padeiro, calando a todos de indignação.  

                De tanto ter ralado, pela madame, os ossos do seu sentimento, numa madrugada, o pó  acumulado no porão da sua insônia calcificou-se  nas paredes do ódio de Joaquim Manoel.

                Tentando recuperar os gozos por aquela madame  impedidos dias e dias, preparando a massa sobre a mesa , retirou dela as mãos ainda grudentas, revirou seu avental branquíssimo e esforçou-se para liberar o seu prazer retido. Aliviado, misturou-o àquela massa, sovando-a. Pela primeira vez ofegava enquanto colocava os pães no forno. Assados, jogou no cesto aqueles pães que saciariam quem deseja tomar, calado, um café com pão e manteiga. 

                Abriu a porta e, para sua surpresa, sua desafeta foi a primeira a entrar. Cheio de si, Quinzim escolheu 15 dos mais branquinhos, os empacotou e os entregou à madame como cortesia da casa, querendo conquistar-lhe a confiança.  Ela o observou, estranhando aquela atitude. Sem questionar, passou a ser a primeira a chegar à padaria em companhia do seu cachorrinho, que entrava antes dela.

                Assim, as madrugadas daquele padeiro passaram a ser puro prazer e, a cada manhã, aumentava por ele a simpatia daquela madame, que lhe trouxera novas  freguesas.  Joaquim delegou a outros a função de lavar as assadeiras, mas de trabalhar sozinho nas madrugadas e de preparar a primeira fornada do dia ele não abriu mão: era ele quem misturava os seus ingredientes à massa, diferenciando ainda mais os seus pães de outros qualquer. 
               Depois que aquela freguesia assídua saía, Quinzim passava o turno a outros e ia embora. No caminho, entrava em uma padaria, comprava pão e  ia tomar o seu café da manhã com a família.  
Autoria- Rita Lavoyer

4 comentários:

Helcio Almeida disse...

Você me lembra uma recomendação aos frequentadores de restaurante: nunca devolvam a comida servida para ser retocada porque os cozinheiros não gostam. Cuspidelas, pisadas podem ser adicionadas a um bom filet. Não havia pensado na possibilidade do Quinzim. De agora em diante vou passar a consumir pão industrializado. Vai que...

Jorge Sader Filho disse...

A vingança de Quinzim foi maligna...!
Fica a lição.

Abraço, Rita!
Jorge

Célia Rangel disse...

Rita! Demais! Imagino, os cremosos ingredientes, provindos na madrugada... do Quinzim!! Seria a "tal madame", alemã, por acaso? Rindo e muito estou...
Beijo.

Rita Lavoyer disse...

Oi, Hélcio! Obrigada por ler o meu pão do dia a dia kkk. Verdade isso que você diz sobre reclamar: ninguém sabe o que se passa nos bastidores dos restaurante por aí.

Jorge, põe vingança nisso! Agora sim! vai saber se na outra padaria não tinha um brasileiro pior que o Quinzin!!

Celia, ando tendo um prazer danado em ser terrível. Se a madame é alemã não sei, mas que umas barangas araçatubenses estão merecendo uma porrada dessa, ô se estão!!