CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

domingo, 7 de junho de 2015

COELHOS ESTÉREIS



Os Coelhos da família Silva Santos, por determinação do patriarca, cultivavam, na pequena propriedade, apenas repolho, seguindo a tradição daquela cidade.

O Coelho Blueco, gêmeo de Redeco, não querendo viver à base do vegetal, pediu ao pai que lhe desse a sua parte na herança, desarmonizando aquele lar. 

O ódio dos familiares  que moravam na mesma casa   aumentou quando, já com sua parte da herança na carteira,  disse a todos não aguentar  mais o cheiro insuportável de pum   impregnado nas paredes daquela morada. Ia para um lugar onde  pudesse  comer bem e sentir cheiros diferentes!

- Não conte com  o ovo dentro da galinha - disse-lhe Redeco, seu irmão gêmeo.

A revelação de Blueco feriu  o coração do pai. A mãe, sofrendo a partida do filho, acumulou sua tristeza com a viuvez que lhe acometera dias depois. As noras e as filhas, não suportando o choro da matriarca, ameaçaram deixar os companheiros caso não conquistassem um pedaço de terra onde pudessem morar e plantar o que quisessem.

Os casais com seus filhotes seguiram seus destinos, só Redeco,  solteiro,  em respeito à memória do pai, permaneceu com a mãe cultivando repolho, 

Blueco saltitava por caminhos  nunca antes imaginado na sua vida de coelho. Sentiu fome e no primeiro boteco que avistou, entrou.

- O que é isso? – perguntou ao balconista, apontando para a estufa.
- Coxinha de carne de boi!

O coelho desgarrado empanturrou-se, gastou metade da  herança. Dias depois o estômago alertou-o. Adentrou outro boteco e o ritual se repetiu com coxinhas de carne de frango acompanhadas de cervejas. Ali  depositou seus últimos centavos. Sem  nenhum dinheiro e com fome, Blueco conheceu Greg, raposa dono do  “Boca do Inferno”, lugar de luxúrias em que os frequentadores desenvolvem  potencial para darem trabalhos aos santos que promovem o perdão. Ali, Blueco conheceu o que significa chafurdar e dos lixos recolhia  sobras de comidas para matar sua fome de coelho libertino.

 As variedades de alimentos que achava apeteciam-lhe, mas, sifilítico, isolou-se e, envolto à solidão, teve uma ideia:  retornou por aquele caminho do “nunca antes”, entrou no boteco da coxinha de carne de frango e foi menosprezado; no da carne de boi ofereceu-se para trabalhar em troca de comida.

 Conhecedor das sobras de alimentos,  produziu os mais variados recheios para o salgado e a freguesia aumentou. Sabendo-se ótimo profissional, embora sem dinheiro, pediu demissão e conseguiu empréstimo com  Youself -  o cágado gringo que apostou na esperteza do coelho -  e abriu o seu próprio negócio na certeza de que arrancaria as freguesias daqueles botequeiros que o maltrataram e aproveitaram-se da sua condição de coelho pobre e  abandonado. Certo de que quem espera sempre alcança, Youself recebeu  o empréstimo com todos os juros propostos.

Blueco prosperou e lembrou-se da família. Chegando à casa do pai viu que nada modificara, a plantação de repolho minguava. Sua mãe, velhinha, reconhecendo-o, alegrou-se por vê-lo bem. Ele entristeceu-se por saber da morte do pai e por Redeco o amaldiçoar, igualmente as irmãs e cunhadas - acusando-as de incitarem um comportamento de manada,    que obrigaram os machos daquela família  procurarem outras terras, prejudicando o desenvolvimento da cultura familiar. 

Soube que os irmãos mudaram-se de país, cedendo os direitos da propriedade a Redeco que continua a acusá-los com o ditado: "diga-me com quem andas que eu te direi quem és". 

Para não deixar  o irmão e a mãe abandonados, levou-os para morarem com ele e tocarem juntos as suas fábricas  de coxinhas de vários recheios. Antes de sair, Redeco protegeu a propriedade com cerca elétrica, dizendo que "cautela nunca é demais". 

 À mãe deu vida de madame e  ao irmão Redeco, - que jurou-lhe vingança  por causar a morte do pai-, deu um anel, roupas novas, sandálias para os  pés e o empregou com   salário de presidente.  

Por causa da sífilis Blueco não procriou e por  trazer mágoas das fêmeas da família, Redeco tornou-se misógino.

Na sexagésima semana da sua chegada às fábricas, Redeco incitou os funcionários e, juntos, promoveram greve sob o slogan: “ Sem funcionários não há coxinhas e sem coxinhas não há Blueco”.  Unidos, destruíram as fábricas, levando o dono à falência.

- Filho:  "Para falar ao vento bastam palavras; mas para falar ao coração são necessárias obras”.  Por que age assim com seu irmão,  Redeco?"
- Mãe, Blueco é um explorador da nossa raça. Aos coelhos o que é dos coelhos! Aqui se faz, aqui se paga!
Desgostosa pela violência promovida por Redeco, a mãe morreu.

Pobre, o coelho pródigo retornou ao “Boca do Inferno” onde encontrou colos perfumados, repouso e segurança. Bom de negócio, investiu nesse empreendimento também; reergueu-se, comprou-o e abriu várias filiais  tendo o raposa Greg como gerente.

Redeco, idolatrado por ter uma orelha mutilada por cães de guarda de uma pastelaria,  quando tentou invadi-la para apossar-se dos recheios que produziam, traz consigo, mantendo sua base,  uma legião de desassistidos de todos os gêneros. Juram, alguns de seus seguidores, tê-lo visto promover milagre, transformando um copo d’água em 51.

Em praças públicas, promove o sermão do bom ladrão aos que  não suportam mais sobreviver a base de repolho, tampouco sentir os cheiros e ouvir os ecos que o vegetal proporciona...

... enquanto Blueco, com seu empreendedorismo, já desenvolve, nos fundos do “Boca do Inferno”, variedades de  recheios de frutos do mar, agradando o paladar de quem tem pressa para comer molusco, ainda que seja cru. 

Rita Lavoyer








3 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

Pois é! Tem de tudo nesta vida, até coelho mal educado...
Imaginação a mil, amiga Rita!
Beijo.

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Nossa, doidim doidim doidim... Viajei fabulosamente, só pra variar. Um abraço, Rita.

Rita Lavoyer disse...

Amigos, com tantas inversões de fatos, qualquer realidade desemboca nos labirintos dos 'doidim' - como bem disse o Marcelo. kkkk Estou aprendendo com o Duña, o mestre!