CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


quarta-feira, 3 de junho de 2015

QUAL O TAMANHO DO SEU MUNDO ?



QUAL O TAMANHO DO SEU MUNDO?

Então, é desse modo que a gente diminui ou aumenta a nossa história.
A mulher cuidava das suas plantas com tanto carinho que conseguiu humanizá-las. Elas estavam dentro  da casa, cujo  espaço  era imensamente grande para confortar as diversas espécies cultivadas.
Os remedinhos, as aguinhas, os adubinhos, o ventinho, o solzinho, o carinho e tudo mais de que as plantinhas necessitavam eram lhes dados em doses e horários estabelecidos. As plantinhas viviam em suas exuberâncias, lindas de viver. 
 O amor daquela mulher pelas plantas fez com que ela pensasse assim:
“Já que estão lindas aqui dentro de casa, mais lindas e vistosas vocês ficarão se eu as colocar do lado de fora. Lá há mais brilho do sol, vento corrente que nunca para de ir e vir... Poderão sentir as águas das chuvas e conhecer o que é o sereno da madrugada. Vou sentir muito, aqui dentro  há espaço e tudo o que há de bom eu lhes ofereço, mas julgo que lá fora vocês serão mais felizes. Quero  vê-las cada vez mais belas e fortes.”
A mulher explicou exatamente nesses termos a cada uma das  suas plantinhas.
Foram dias arrastando vasos, arranjos, jardineiras, correntes e suportes de dentro para fora da casa. Mas nada se ajustava. Colocava-se os vasos, retirava-se as jardineiras. Os suportes atrapalhavam as correntes. Tirava-se um atrapalhava-se outro. Desenroscava daqui, enroscava dali. Pendurava uma plantinha aqui, misturava com outra espécie com a qual não podia ter contato. Não podia ficar, mudava tudo novamente.
Foi muito difícil  acomodar tantas plantas, enfim, para aquelas espécies não havia espaço  suficiente  do lado de fora, como no  lado de dentro da casa.
E nessa luta de tira e põe, apesar de continuarem recebendo o mesmo carinho daquela mulher, as plantas começaram a sentir a diferença da temperatura, da água da chuva, do sereno da madrugada... Algumas secaram, outras murcharam e derrubavam suas folhas com frequência. As espécies que caíam em cachos não cacheavam mais.
O desconsolo tomou conta do coração da mulher. Parada diante dos vasos, cruzou os braços, respirou fundo e chorou. As lágrimas lavaram-lhe a face  e sua dor ganhou  som. Ouvindo os soluços, o filho pôs-se diante dela e disse:
_ Mãe, guarde suas plantas dentro de casa e cuide delas como antes, assim voltarão a ser como eram. Aqui dentro de casa há mais espaço do que aí fora.
Com os olhos lavados de mãe, respondeu-lhe:
_ Filho! Se eu guardá-las novamente tirarei delas a oportunidade de tentarem sobreviver. Recolhê-las, reconfortá-las não as farão lindas e vistosas novamente. O que lhes faltar, terão que buscar sozinhas no espaço em que cada uma se encontra, tendo o meu apoio.
As estações passaram... Floriram novamente, cachearam e cada uma foi tomando forma para se adequarem aos lados da casa. Logo, os espaços tornaram-se o tamanho ideal para que elas sobressaíssem entre si.
_ Mãe, como conseguiu, sem mudar nada de lugar, que as plantas coubessem onde não cabiam?
_ Filho! Eu sempre tive amor e disposição para cuidar delas. Se eu as tivesse guardado, elas voltariam a ser como eram antes de virem para os lugares onde estão. Porém, se em outra ocasião elas necessitassem sair, talvez não aguentariam a mudança de ambiente, tamanha a fragilidade de suas belezas e, provavelmente, morreriam para sempre.
Hoje, meu filho, elas estão bem harmonizadas em seus lugares.  Se eu quiser mudá-las de um lado para o outro, de dentro para fora, elas certamente resistirão. Portanto, quando eu estiver indisposta, sem condições de cuidar delas, certamente não sentirão a minha falta, pelo contrário, estarão vistosas e fortalecidas para me agradar os dias.
_ Mãe, existe um espaço para cada coisa?
 - Não, meu filho. Existe um mundo em cada espaço. O mundo é do tamanho das nossas necessidades. Temos que sair do nosso mundo se quisermos nos encontrar.  Não fuja do seu tempo, meu filho, caso contrário  você não fará a sua história e outros usufruirão, além dos espaços deles, do seu também.    


Rita Lavoyer

5 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

Isto é sabedoria, Rita!
Grande abraço.

Rita Lavoyer disse...

Vivendo, quebrando a cara e aprendendo, amigo Jorge!

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Nossa, tem um tratado de filosofia aí! Mais uma fábula fabulosa de Madame Lavoyer. Abraços!

Célia Rangel disse...

Criar.
Educar.
Filosofar, com suas belas e intrigantes fábulas, é perfil característico da Rita, mestra da vida! Parabéns!
Abraço.

Rita Lavoyer disse...

Dificil missão, Marcelo e Célia! Mas vamos plantando. Uma semente há de brotar excelente, espero!
Obrigada, queridos!