CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

ATO UM





ATO UM

Hamilton Brito

Há um quê dentro de mim.
Sei lá, o que seria?
E o porquê...isso eu sei.



Eu não vou sobreviver.
Vou pagar por este amor.
Terminam assim
os grandes amores:
Quanto maiores
maiores dores.


Talvez
não com esta rima banal.
Eu bem que pressentia.
Tentei matar esse amor insano.

Sabia,
me daria mal.
Mas, agora,
que a peça chega ao fim,
repito e repetirei
o quanto possa:
te amo e amarei sempre.
Até a última descida
do pano.
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ATO DOIS


Rita Lavoyer

Em todos os porquês
Há um ‘quê’ fora do ato.
Por que esse ‘quê’ é rês
De muitos porquês prolatos.

Porque ele bem sabe
que faz parte do elenco
onde todo o ‘quê’ cabe
para servir de argumento.

Não! O quê não faz rima.
Pra quê? Que desengano
Pensar que o “quê” fosse
Plano pra matar amor insano.

O quê? É engano descer o pano
Sem um ato terminado.
Embora sem estrelato
Não se troca um ‘quê’,
ainda que minguado
Pelos porquês de outra peça, pois
A razão desse ‘que’
Assistiremos no ato dois.



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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

ACHARAM A DONA DO FETO JOGADO NO LIXO - TEXTO 3








_ Nasceu?
_ Nossa, que coisa estranha, não achou?
_ Também, veja de onde veio...
_Seu nome, criatura!
_ Greissi, com dois ‘ss’, Diéquisson, com dois ‘ss’ também, da Silva e Silva. Tenho pai e mãe.
_ Ainda tem coragem de dizer isso?
_ Próxima!
_ Com licença, eu sou a próxima. O meu nome é Greissi Diéquisson da Silva e Silva. Vim por causa do anúncio.
_ Sinto muito, mas a vaga já foi preenchida.
_ Mas o senhor me chamou, nem conversamos... Tenho estudo!
_ Acabou de ser preenchida, sinto muito.

Quando ela nasceu não lhe deram crédito. Cresceu sem conhecer o respeito merecido.
Era exceção, os pais eram exceção na comunhão dos bens. Eram ambos Silva e Silva. Mas para ela não foi suficiente a carga dos sobrenomes paternos. Ela era a massa, tinha que fazer parte dela. Não queria entrar nas regras, mas as situações a obrigaram. Desejos despertaram na menina feia que chocava a visão dos que tinham coragem para vê-la.

_ Comer aquilo? Nem de olho fechado.

A difamação da alma ingênua de Greissi, com dois ‘ss’, arrancava gargalhadas.

Greissi Diéquisson da Silva e Silva tinha uma alma que tentava se encaixar num corpo cuja face feia não se enquadrava aos padrões. A vida rejeitava-lhe a alma sem saber dela a consistência.

_ É pegar ou largar. Pra você... dê-se por satisfeita!

Greissi Diéquisson da Silva e Silva recusara aquilo por diversas vezes para honrar os pais, exceções no meio de tantas regras. Eram os Silva e Silva.

Greissi Diéquisson tinha pai e tinha mãe e tinha registro de nascimento e tinha Registro Geral e tinha Cadastro de Pessoa Física e tinha um corpo e tinha uma alma e tinha dois sobrenomes únicos, compostos de simplicidade.
.
Não houve como e a princesa na cadeia apanhou também, mas durou pouco a sua passagem por lá. 171, porque já não mais 18. Que pena, Greissi!


Foi surrada, comida, cuspida, largada...






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Para o lixo

UM CORPO PARA A MINHA ALMA.

Ela anda tão vagante, fria e pálida. A minha alma anda assim, perdendo o colorido dos olhos. Sem ele, os meus olhos veem uma alma opaca, vazia.
A minha alma procura um corpo onde ela possa se encostar, porque o corpo que ela tinha morreu solitário, mutilado, sem ter sido tocado.
A minha alma procura um corpo que tenha sangue quente correndo dentro dele, para poder aquecê-la da frieza da indiferença.
A minha alma procura um corpo que lhe devolva as forças perdidas em uma batalha cuja arma era ela própria.
A minha alma procura um corpo que tenha um coração do lado para pulsarem juntos. Um corpo que possua braços abertos e mãos firmes que permitam ser cumprimentadas após cada vitória.
A minha alma procura um corpo de um ser feito de gente e não de páginas de agenda lotadas, sem ter com ela nenhum compromisso.
Um corpo não realista, nem simbolista, mas que exista e que esteja em seu tempo e a transcenda o espaço, fazendo-se análogos.
Um corpo que a recupere da inexperiência dos sentidos, que de suas linhas neo-modernistas edifique sua antiga construção, capacitando-a para sermos nós.
Um corpo que advogue seus pecados e se refugie nela, e que a socorra na necessidade em que ela se acha.
Um corpo que feche suas cicatrizes íntimas de alma desprezada, e que a ressuscite do sepulcro em que ela jaz, para que ela descanse em paz na imortalidade.
A minha alma procura um corpo que está ao seu lado, mas que não a vê.

_ Eu o vejo, meu feto. Eu o jogo para não trazer ao mundo mais uma Greissi Diéquisson da Silva e Silva. O mundo não sabe, meu feto, mas se faço isso, é porque, antes de amá-lo, eu o respeito primeiro. Queria, meu feto, ter estado no teu lugar para não ser obrigada a fazer o que faço hoje. Não tenho medo da condenação. Já fui condenada quando nasci. Aos que leram, ouviram ou ficaram sabendo do feto que foi jogado no lixo, e me julgaram, como esta narradora, eu peço perdão.
Graissi Diéquisson da Silva e Silva
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Graissi, o seu nome fictício é tão real quanto a sua história.
História de tantos outros Silvas e Silvas que nasceram excluídos e que foram condenados por palavras escritas, faladas, pensadas antes mesmos de saberem de vocês as causas.
Eu fui a narradora do fato. Perdoe-me os Silvas e Silvas. O Texto 2 eu escrevi exatamente para as "Greissis", seres que de tanto gritarem em silêncio, deslocaram suas almas dos seus corpos.
Rita de Cássia Lavoyer




quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

UM CORPO PARA A MINHA ALMA - TEXTO 2






Ela anda tão vagante, fria e pálida. A minha alma anda assim, perdendo o colorido dos olhos. Sem ele, os meus olhos veem uma alma opaca, vazia.


A minha alma procura um corpo onde ela possa se encostar, porque o corpo que ela tinha morreu solitário, mutilado, sem ter sido tocado.


A minha alma procura um corpo que tenha sangue quente correndo dentro dele, para poder aquecê-la da frieza da indiferença.


A minha alma procura um corpo que lhe devolva as forças perdidas em uma batalha cuja arma era ela própria.


A minha alma procura um corpo que tenha um coração do lado para pulsarem juntos. Um corpo que possua braços abertos e mãos firmes que permitam ser cumprimentadas após cada vitória.
A minha alma procura um corpo de um ser feito de gente e não de páginas de agenda lotadas, sem ter com ela nenhum compromisso.


Um corpo não realista, nem simbolista, mas que exista e que esteja em seu tempo e a transcenda o espaço, fazendo-se análogos.


Um corpo que a recupere da inexperiência dos sentidos, que de suas linhas neo-modernistas edifique sua antiga construção, capacitando-a para sermos nós.


Um corpo que advogue seus pecados e se refugie nela, e que a socorra na necessidade em que ela se acha.


Um corpo que feche suas cicatrizes íntimas de alma desprezada, e que a ressuscite do sepulcro em que ela jaz, para que ela descanse em paz na imortalidade.


A minha alma procura um corpo que está ao seu lado,

mas que não a vê.

Greissi Diéquisson da Silva e Silva



Autora - Rita Lavoyer

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

JOGUE O FETO NO LIXO- TEXTO 1




Folha da Região, 13/01/2011/Fl. A8. “Feto de 15 cm é encontrado em meio a lixo”

Um feto foi encontrado, antes disso, foi jogado. Por favor, jogue o feto no lixo.
Alguém abriu as pernas, outro ali entrou. Não importa o que rolou, engravidou, porra! Jogue o feto no lixo.

A polícia foi chamada no aterro sanitário. Oh! Criminalística entrou no caso, até IML. Dona delegada, não fique tão pasmada, o assunto emocionou a molecada que ali vive plantada, pois o lixo não a repele. Já são comunitárias, pobres crianças, não anteciparam a sua passagem ali. Nasceram com o bilhete atraso. Então, jogue o feto no lixo.

Não importa o centímetro, o tamanho ou comprimento que é tudo a mesma coisa que ser gerado em ventre sujo ou ser jogado no lixão. Se foi aborto provocado, com ou sem consentimento, quem assume esse compromisso? Vá! Jogue logo o feto no lixo.

Qual a chance de encontrar a autora desse crime, se todo o lixo da cidade é jogado no aterro? Não será o último, como também não é o primeiro. Qual o inconveniente em alguém ficar contente por jogar o feto no lixo?

Esse feto me é tão consanguíneo, eu o gero a todo instante, todos os dias o meu lixo vai pra lá. Eu, você, joguemos nosso feto no lixo, urubu precisa viver.

Ciranda, cirandinha é pica, é pique e pique ou jogue inteiro mesmo, o amor que ali se tinha era pouco e se acabou. Palma, palma, palma e de no pé! Alguém jogou o feto no lixo.

Feto não é lixo, mas feto lixo é, porque ele foi feito no latão de uma mulher.

Sejamos todos humanitários, salvemos o aterro sanitário, ele precisa de vida. Jogue o feto pra ele.
Rita Lavoyer

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

PELA NOITE...





PELA NOITE


José Geraldo Martinez


Permite-me, noite, em teu colo repousar?
Neste céu infinito, faze-me em teu peito
bendito...
Beijando-me com luz de luar!



Quero o abandono completo.
Ser andarilho por tua imensidão!
Carregar a leveza no coração,
sem medo de em ti caminhar ...


Permite-me escutar violões choramingando
nos bares empoeirados da cidade.
Cheiro de pães pela madrugada e nas calçadas,
o sereno todo me abraçando!


Quero cantigas de arvoredos,
chamados a dançar com o vento...
Uivos de cães vagabundos,
perdidos em tristes lamentos.



Permite-me sentir as flores
que somente pelas noites soltam perfumes ?
Lembrar qualquer bobagem da infância,
na brincadeira dos vaga lumes.


Quero os bancos vazios
das pracinhas que guardam almas generosas.
E elas dançam no puro cio,
dos cravos namorando as rosas!

Permita-me sentir o toque
de tuas mãos generosas?
E na solidão que é minha,
nada de humana presença,
Senão eu comigo,
levando minha alma para brincar
e sonhar,
pela noite imensa !

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SOU A NOITE


RITA LAVOYER


Sou a tua noite, vem que eu te embalo.
Traze no teu ser o cansaço
E em mim podes colocá-lo.
Dá a esta noite o prazer
De ser do teu céu o paço.

Com os teus pés fora da rota,
Pisa-me a imensa raiz
Cálida. Denota teus passos e bota
Semblante em minha cariz.


Sim! Depois que fizeres de mim concretude
Avantaja-te com qualquer libação.
Toca-me o ventre com instrumento sagrado
E tira do som o teu vinho e o teu pão.


A canção dos alimentos que queres
Encontrarás bem dentro de mim.
Sou dos arvoredos sementes,
Uivando vontades crescentes,
Confinadas em meu camarim.

Autorizado estás
Para das flores tirares fragrância.
Para tal precisam do orvalho
Que brota da tua inocência.
À vaga dá luz com teu lume
E faça o dia de mim descendência.


Terminado o teu sono, e tua alma
Novamente encontrar-se contigo,
Descansados estarão os teus passos
Por teres me dado sentido.

Por ti exerci tal função
Fui noite porque assim me quiseste.
Adentro da visão caminhaste
Fazendo-me dos teus sonhos vedete.

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NA NOITE...PASSOS

Hamilton Brito

Na noite
as sombras das árvores
projetam-se nas calçadas...
Ouça:
passos lentos, trôpegos
...errantes
Levam
não conduzem.
Mesmo assim
são passos.
Só passos.
Um destino terão.
Se alguém esperar
muito melhor.
Não havendo...
Ouça,
lá se vão
os passos.
Alguém caminha...
Trôpego, errante.
Buscando,
sempre buscando,
incessantemente buscando.
O tempo?
Ah! o tempo
pode esperar.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

AGASALHA-ME




Quando vires o meu corpo nu,
desnuda-o da minha alma.
Em forma de sono penetra-o
até que eu nunca mais,
largada na areia do tempo,
recobre a consciência.

Quando o teu sopro,
em silhueta de sonho,
renascer-me novo espírito,
e eu sentir o calafrio das ondas do teu desejo,
puxa a porta do Universo devagarinho...
Agasalha-me
Agasalha-me
Agasalha-me com a tua pele de vento,
e ensaia comigo um vôo de imensidade
para além do panteão dos teus segredos,
onde eu quero nunca mais acordar
deste novo espírito que me veste.

RITA LAVOYER

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O HOMEM QUE COMEU A MARGARIDA






Durante 4 décadas atravessou o deserto para encontrar a água que lhe matasse a sede.

Quando a encontrou não conseguiu tocá-la, temendo miragem. Ajoelhou-se à sua margem; ela, cristalina, o refletiu. Ele viu-se nela. Miraram-se naquela realidade.

Levantou-se e caminhou contra o fluxo, alcançando aquela nascente. Eram gotas que pingavam do pé de uma margarida vermelha. Sedento, esticou a sua mão e a tocou. Àquela leve carícia as gotas secaram. Os suaves fios da água foram desaparecendo dentro da areia quente do deserto.

Desesperado, arrancou a flor até a raiz e guardou-a em seu peito , dando-lhe guarida.

Desidratada, definhou-se. O homem, para não vê-la morta, comeu-a com dó.

O deserto desapareceu diante daqueles olhos inundados num mar de lágrimas vermelhas.

Renovada dentro daquele corpo, a margarida ordenou-lhe:

_ Vá em frente!

Ávido, as suas lágrimas secaram e aquele vermelho escaldante foi abrindo-lhe o canal.

Temendo ilusão o homem recuou. Sem ceder uma polegada àqueles delírios, prostrou-se
ressequido à sombra de um pé de margarida, ainda sem cor, que renasceu no lodo do mar, nas proximidades da água prometida.

Rita Lavoyer