CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.


sexta-feira, 30 de março de 2012

MORTO PELA CRUZ DE CRISTO






Vinte e quatro era bastante para a sua pouca idade,
e pouco para as horas que pretendia permanecer ali.

                      Chegou à igreja e prostrou-se debaixo da cruz  
                    pendurada no teto por corrente, 
 apenas no madeiro vertical,
    na ponta superior.

Dobrava os joelhos e erguia a cabeça.
 Passou horas a fio observando
aqueles contornos nus envoltos em um pedaço de pano de bronze.

O vento que entrava velozmente pelas portas abertas,
balançava o Homem que agarrava-se aos pregos
para não ser levado pelo sopro do tempo.

As pálpebras do crente sentiram o peso daqueles braços abertos,
e fecharam-se adormecidas,  instigadas pelo  movimento do pêndulo.
Com o céu romperam-se os elos.
Ela despencou-se do teto caindo sobre a cabeça do rapaz.
Ali ficou, no chão da igreja, morto pela cruz de Cristo.

 
Rita Lavoyer


Publicado em 28/01/2010

quinta-feira, 29 de março de 2012

Adele - Someone Like You

ESTRANHOS ÍNTIMOS







Era íntimo aquele comportamento estranho que um tinha pelo outro.

Estranharem-se se tornou rotina entre ambos, tão estranho um para o outro era.

Já era familiar tamanha estranheza sem saberem dela a causa, mas reuniam os efeitos para se estranharem cada vez mais.

Um disse: Eu nem sei por que!

Outro disse: Eu nem sei por que!

Inventaram um não gostar e passaram a gostar do não gostar. Gostando-se cada vez mais daquela intimidade estranha que um proporcionava ao outro. Gostavam-se sem saber o porquê. Muito estranha essa estranheza entranhável.

Já aceitavam o estranho e sentiam a falta dele quando estranhamentos não havia no íntimo daqueles íntimos.

Queriam se estranhar. Precisavam se estranhar até que um no outro agredisse o ponto mais íntimo desses intimistas.

Provocaram atracarem-se e foram.

Passaram um pelo outro, mas não se olharam. Calados, cada um seguiu o seu rumo, matando-se intimamente, para que cada um daquele estranho crescesse seguro no íntimo um do outro.

Rita Lavoyer é Membro da Cia dos blogueiros

quarta-feira, 28 de março de 2012

OS FANTOCHES DIVINOS



OS FANTOCHES DIVINOS!

José Geraldo Martinez


Por toda vida eu vou te amar

até que em mim a morte embale...

E noutra além, vou te esperar,

para posteriore continuidade!


Por enquanto eu te espero,

enquanto ainda sorrio na tua chegada!

Nesta vida que tolo venero,

sabendo que esta não vale nada.


É que ainda posso tocar teus cabelos...

Desabafar em teu peito os meus medos!

Sou pura angústia, entende?

Amanhã quem de nós partirá primeiro?


Ainda posso segurar as tuas mãos

e juntá-las ao peito amedrontado.

Dormir com a tua canção

e em teus braços, embalado!


Posso ainda despertar com a tua presença,

abrindo a cortina para o sol que nos assiste!

E lá não saberei o tempo de minha,

de tua ausência, se o próprio tempo inexiste...

Ainda tenho o teu cheiro!

O calor da tua pele...

Sonhos infindos, devaneios,

que a morte ainda repele!


Enquanto posso, abraço-te,

tão fortemente apaixonado!

Como se fora a primeira vez em nossa

adolescência,

na inocência do amor guardado...

Não fôssemos fantoche da espiritualidade e

nem tivéssemos este corpo emprestado,

por sorte.

Tão pouco marionetes no colo de Deus,

dono da vida e da morte!

Medo algum teria...

E quando tivesse que morrer, saberia !

Com tempo e calma...

E feliz partiria,

deixando contigo minha alma,

vivendo tudo neste dia!

" Se pensarmos que o amanhã poderá não existir...

O hoje faria toda diferença! "

( Martinez)
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MANIPULAS-TE

RITA LAVOYER

Meu grande amor! Quanto te esperei

Na concretude das tuas letras.

Lia-te, com saudade, nas ocultas frases

Que um dia serias só meu

na incerta realidade.


Nos tipos de toda notícia

eu te esperava também.

Só para ver o que falavas

da vida de outro alguém.

Fui refazendo recortes da imagem

Para recompor uma história de colagens.


Não partiste de mim porque quis.

Amar-te é puro destino, entendes?

No ontem, começamos nossa história.

Foi por isso que vim:

Para amar-te novamente.


Ofertei-te minhas mãos, ainda que pequenas,

Para arrancar-te do peito o medo.

Agarraste aos vestígios que elas traziam

Compondo versos para a outra em segredo.


Despertaste o teu desregramento

Quando para ti não fui o bastante.

Esquecer teu código nítido tento

Entendendo nosso futuro bem antes.


A morte já nos uniu

Em outras vidas que virão.

Nesta passagem o nosso broche

Ainda não se faz

Erraste nos teus versos a personagem.

Efeito disso és fantoche,

Causa dos amores que poetaste.


Ainda que escrever queiras

Com a pena da minha essência

Serás manipulado por poemas

Incompletos do teu verdadeiro tema.


Da tua infinita poesia entendas

Eu sou o ponto final.

Por não dares a ela minhas emoções,

Viveremos para sempre

Novas reencarnações.

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TUA SAPIENCIA

Hamilton Brito


Quero que entenda, querida,

Algo que, com sofrimento, aprendi:

Com o amor não há o sonhar.

Há que vivê-lo de verdade

ou então, na saudade, lamentar!

Dizem que esta vida nada vale

que tudo por aqui é ilusão.

Mas se são verdades ou não,

não vou procurar descobrir

Você me bloqueia o caminho

... por outro, eu vou seguir

Você sabe, vida só há uma

e como disse o tonto lá em cima

de angústia não vou viver.

Querida, não sou nada, nem fantoche

Ainda mais fantoche divino.

Sou, quando muito, um cretino

que ao seu lado quer viver.

Mas você, que é suma sapiência

quer usar da sua ciência

para com seu papo me enrolar.

Acusa-me de ser manipulador!

Veja que coisa, sim senhor!

Diz, mas que cara de pau

que me amar é o seu destino.

De nós dois, quem mais cretino?

Eu te ofereço a minha vida

E você atrás de palavras escondidas

acusa-me por suas horas perdidas

E eu que confundo personagem...

Se ainda te escrevo este poema

é porque me conservo otimista

Pois, querida, em minha vida

você só foi ...

antagonista.



terça-feira, 20 de março de 2012

A CONSTRUÇÃO DE UMA PERSONAGEM






Um aspirante a escritor sonhava algo interessante para pôr em uma história sua. Escreveu terra e em seguida água.

Deslizou o seu grafite misturando um elemento ao outro. Desta conjunção surgiu uma lama que já marcava o branco do seu papel. Foi revolvendo aquela mistura com a ponta do seu lápis permitindo-a disforme em suas conformidades a fim, de ele mesmo, aperfeiçoar-se em sua atividade. Em cada linha em que a sua figura se fazia presente o tema desmoronava.

Percebendo-se inábil para o ofício, tratou de se especializar. Projetou-o e traçou sua planta baixa planejando o seu engenho com instrumentos que lhe eram empíricos, proporcionando à celulose vibrações as mais variadas entre sonhos e delírios amassados, enchendo de papéis um cesto do canto. Deixou a sua ideia concretizar, resultando um barro sujeito à consistência.

Vendo-o sem coesão, buscou recursos na ciência da modelagem. Naquela folha, o carbono cristalino formava uma silhueta lexical sombria sobre um fundo branco, deixando à vista uma lógica incoerência no papel do sonhador com a sua matéria.

Na ânsia de botá-la em pé, o aprendiz esmerou-se na arte da marcenaria. Com uma lâmina, lascou a madeira do seu lápis e criou uma coluna para aquela abstração quase uniforme, possibilitando-a nominá-la objeto do seu plano estático. Dado a escultor, talhou-a, concretizando aquela figura.

No canto da página, um arco-íris de palavras era pincelado pelo pintor que o artista se permitiu ser, colorindo as interrogativas que surgiram no decorrer do ofício, e o sopro do agente sobre as cores, para secá-las, preenchia o significado daquele significante, dando-lhe volume, descrevendo a beleza de uma mulher sob o ângulo da sua visão.

Arquitetou diversos códigos e outras mãos de obra, nele, afloravam-se para decorarem o interior daquele ambiente feminino escrito com um lápis. Quanto mais o seu projeto ia tomando forma, muito mais aquela personagem deixava de ser oculta e se determinava naquele roteiro propositalmente destinado a ela. Deixando a condição de aprendiz, o projetista já não a queria mais coadjuvante. Signos e mais signos cristalinos fantasiavam a autoestima daquela sua projeção e a redação já possuía começo e meio definidos. O clima foi surgindo à medida que o redator harmonizava as suas construções sintáticas, dando dinamicidade à sua personagem.

Encaixados muitos fragmentos da arte naquela estrutura, o dono daquela mão que dominava o objeto de escrever, gravou-se primeira pessoa naquela narrativa e na sua cria depositou todo o seu ego. Ela o gerou e pariu para ele o enredo de uma história. Transformada em protagonista, não tendo afinidades consigo mesma, ela se apaixonou pelo seu criador.

Vendo o seu objeto crescendo diante de seus olhos, operando uma disjunção entre o seu sonho e a vida da sua criatura, o escritor puxou-lhe as rédeas. Sem conflito nenhum com a sua condição, num instante, ele rascunhou outro personagem a sua imagem e semelhança denominando-o “homem”. Deu-o à ela em casamento de papel passado à força do seu punho, sem não antes escrever um sorriso feliz nos lábios carnudos daquela mulher que ele criou. Depois de uma leitura refinada, pôs ponto final e assinou: Propriedade de Causa.

Sentindo-se desgostoso com aquele desfecho e não conseguindo mudá-lo, amassou o papel, fez com ele uma bola e o jogou no cesto, falhando na sua performance. Abaixou-se, juntou todos os amassados, pôs fogo e assistiu toda a sua aspiração esvair-se no ar. Ansioso com a carbonização das suas letras, enfiou o rosto dentro daquela fumaça inspirando-a toda, asfixiando-se com a própria criação, sujeitando-se, como sanção, a discursos figurativos, feito água parada jogada por terra.



Rita Lavoyer

Recorri ao mestre, excelência em Literatura, para amparar-me na minha construção.
 Com o seu jeito peculiar de quem nasceu para o ofício, disse-me tudo silenciosamente:
 "Há muito que consertar".
Consertei dentro do meu alcance.
São professores dessa estirpe que nos honram com o desejo de sermos eternos alunos.
Foi e continuará, apesar de já ser doutor,  sendo o meu mestre.
Obrigada professor!  Rita de Cássia.



domingo, 18 de março de 2012

TARDE LITERÁRIA

MISS CULTURA




Ontem, 17/03, tive a oportunidade de assistir a um ‘espetáculo’ na Biblioteca Municipal e Araçatuba. Raramente faço isso porque o meu tempo na escola não me permite muitas saídas nos finais de semana. Pois ontem fui lá conferir do que se tratava essa MISS CULTURA.

Os escritores Fabrício Carpinejar e Marcelo Carneiro da Cunha leram textos literários de escritores renomados. Textos de qualidade escolhidos pelos escritores, que traziam como tema “vizinhos”.

As leituras... bem...

Coloque uma candidata linda de viver para ser julgada, mas retire dela o brilho próprio para ver se ela consegue desfilar em alguma passarela.

Pois não foi que o Marcelo conseguiu retirar dos meus olhos o brilho das candidatas dele?

As mãos do Marcelo leitor preocupavam-se em manter seguros as cópias dos textos e o microfone ao mesmo tempo, não colocando emoção alguma na leitura daquela produção literária escolhida por ele e inscrita a candidata a miss qualquer coisa.

Que pecado! Eu ruminava lá de trás enquanto nem conseguia ouvir o Marcelo. Pus-me de pé para tentar melhorar a minha audição, evitando cometer calúnias no meu julgamento. Não teve como melhorar nada! Continuei julgando: que pecado!

Enquanto eu vivia, porque eu entrei dentro das produções literárias lidas a contento da arte por Fabrício Carpinejar, enquanto eu vivia a vida dada àquelas misses escolhidas por ele, fervilhava a minha cabeça o pensamento do quanto nós podemos prejudicar uma arte quando temos a intenção de protegê-la.

Já li de escritores bons que a poesia não pode ser declamada, ela deve ser lida. Tudo bem, desde que a leitura não a mate. Isso também serve para uma crônica ou um conto.

Eu, heim! Por isso que eu fico calada!

O meu voto para Miss Cultura foi para “Samambaia, de Mário Prata” apresentada pelo Fabrício.

Uma samambaia viva eternamente, mas que estaria sequinha no xaxim se o Marcelo a escolhesse para defendê-la, minha opinião.

Também não gostei do fato de os dois escritores convidados ironizarem tratar-se Paulo Coelho, o escritor, araçatubense. Que mal há em Paulo Coelho ser araçatubense? Ele não é, mas se fosse eu teria a maior honra de dizer a todos que ele é o “Meu Vizinho”, se fosse.

Não sou leitora de Paulo Coelho porque o meu tempo não permite, e o pouco dinheiro que eu tenho, quando compro livros, são para as minhas pesquisas.

Não acredito que Paulo Coelho denigra a imagem de alguém publicamente, que seus trabalhos favoreçam o prejuízo moral de qualquer cidadão.

Um escritor que se julga entender de literatura, estar inserido nela, começar ironizar Paulo Coelho (por não ser literário?) não o coloca, na minha opinião, melhor do que nenhum outro escritor, ainda que este tenha sido o inventor das regras onde as palavras devam ser aplicadas. Respeitar as regras de cada um é questão de cultura também.

Mas essa Rita é o cão da intransigência, poderão criticar a minha crítica.

Já que vamos criticar, vou derreter aqui a minha observação sobre a vantagem de ter ido assistir ao Miss Cultura. O julgamento, a eleição dos textos.


Como foi bom delegar ao povo, tão somente o povo, o poder de escolher o melhor ao seu gosto. O melhor dentro da visão de um colegiado multicor. Ali tinha araçatubenses de todos os jeitos e idades, com cultura de todos os tipos e valores. Então eu me perguntei diante daquela grandeza que eu via na plateia: Para que seve um Concurso de contos Cidade de Araçatuba, se ele atinge uma minoria de cidadãos da cidade?

Fiquei pensando,- lógico o mal da Rita tem sido isso ultimamente-: Será que só estão aptos para julgar literatura quem lida com ela? Cadê a população em massa sendo beneficiada pelo Concurso de contos Cidade de Araçatuba? Não é “da cidade de Araçatuba”?

Deixe os araçatubenses julgarem. Já pensou que honra ter o seu conto julgado e sido classificado pela população da cidade toda de Araçatuba? Esta miscigenada e não apenas por meia dúzia de professores/escritores, dos quais eu não tiro os créditos para exercerem a função de classificar e julgar os contos, mas não acho que somente eles podem fazer isso.

Leitura em demasia cansa, tendo pouco tempo para entregar o resulado  piora mais ainda. Os julgadores são seres humanos, têm os seus limites físicos. São muitos contos para poucos analisarem julgando-os.

Já pensou, senhor secretário, quantos escritores não poderão sair desse colegiado de julgadores? Não seria mais do que bom esse concurso para todos?

Senhor Secretário da Cultura de Araçatuba, Hélio Consolaro, encha aquela Biblioteca Municipal de araçatubenses voluntários e distribua a eles os contos inscritos no Concurso de Contos Cidade de Araçatuba.

Dê, senhor secretário da Cultura Hélio Consolaro, à Literatura Universal o direito de atingir a Cultura de Araçatuba. Permita o Concurso de Contos da cidade de Araçatuba ser de fato para os araçatubenses de todas as raças, credos, costumes e graus de instrução. Isso não é inédito?

Como candidata que sou, seria uma vitoria pra mim ter um conto meu nas mãos do povo da minha cidade, ainda que em pseudônimo.

Convide a população, vá às universidades, às igrejas, às indústrias e comércios. Já pensou que alegria para um interno da Fundação Casa fazer isso, ou um internado da Santa Casa colaborando, dando a sua parte de alegria ao Concurso de Contos Cidade de Araçatuba? 

Por favor, senhor secretário, dê à população esse crédito, essa honra de ser acreditada pela Cultura. Num sábado inteiro, todos os contos inscritos estarão sendo honrados, pois estão sendo lidos por muitos araçatubenses de todos os gostos, julgados e classificados pelo povo, inclusive pelos que atuam como julgadores desta Secretaria de Cultura, misture. Duas honras para a população.

Pense nisso. Claro que há de se estabelecer regras para o grande número de voluntariado que aparecerá, tenho certeza.

Voltando ao Miss Cultura, foi bom demais eu ter ido lá e ter saído com uma análise positiva do que vi.

Há certas coisas para as quais não estamos obrigados, uma delas é não ter que comprar um livro do Paulo, outra é não ter que ouvir coisas que não queremos e outra é não deixar morrer uma ideia.

Espero continuar pensando. Amèm!

Rita Lavoyer



quinta-feira, 8 de março de 2012

A MULHER ENTRE O BOM E O RUIM


As coisas para as mulheres não são tão fáceis como deveriam ser. Quando é virgem, a primeira vez nunca se esquece, quando é bem velhinha, a última também não, dizem. A mulher casa e chora porque não engravida, se engravida chora também de tanto que passa mal, muitas vão até parar no hospital.


Coisa mais linda é uma mulher amamentando. Verdade, desde que os bicos dos peitos não sangrem. Há bicos de peitos que chegam até cair. Isso é o progresso, sem os bicos os peitos viram boca de copo e a molecada já aprende a se virar, ou melhor, virar o gole.

Pernas lisinhas de mulher são as coisas mais bela de serem vistas. Aquela cera quente na pele da gente é a redenção dos pecados. Quando passa na virilha então, a gente fica em ponto de bala. Respira fundo e puxa... Sei que tem a depilação definitiva. Coisa mais chique que já inventaram para as mulheres não precisarem se depilar.

Você, mulher, que é da minha época, tenho 45, deve se lembrar muito bem daquele revolver com que nos aplicavam vacinas nas escolas. Pois então, a depilação definitiva começou com um aparelho desse tipo. Uma moça me segurava e outra aplicava o revolver. Era pra matar e quando iam fazer no buço eu gritei : “Me deixe bigoduda, pelo amor de Deus”. É ruim mais é bom, elimina os pelos. Lembre-se de que para as sobrancelhas há um anestésico, parei de sofrer!

Amiga, não se descuide, tem que se prevenir, mas só entre nós duas: quem inventou aquele aparelho de mamografia é o verdadeiro cão. Botam os peitos da gente dentro daquela bandeja e viram a morsa. Apertam os coitados a ponto de virarem folha de papel. Só mulher para aguentar. No próximo exame a moça daquele laboratório vai precisar do auxílio de uma pá, se aquele aparelho não se moralizar os meus peitos não passam mais por ele. Desaforo! É ruim mais é necessário. Exame ginecológico então é a coisa mais linda. Ainda bem que a mulher não tem próstata, senão ia  sofrer duas vezes. É ruim, mas é engraçado.

Quando é moça não gosta de menstruar, é ruim, mas é bom. Quando é casada quer a menstruação frequentemente, é bom, mas é ruim.

Na menopausa chora de saudade da moça que fora, isso é ruim, ruim. Na melhor idade, superada as fases difíceis, vira aposentada e aplica o dinheiro em remédios. Oh, castigo!

Já conquistada a liberdade dos filhos, vai à casa deles para visitá-los os companheiros fazem cara feia.

Se está no ponto de ônibus o motorista torce o nariz, porque a demora pra subir vai fazê-lo se atrasar para o próximo ponto. Está pensando que isso é ruim? É nada, é ótimo! Estou relatando a vida de uma mulher velha e pobre, porém feliz porque se vira sozinha, cansada, à noite, deita e dorme.

Algumas mulheres, velhas e ricas, vivem de carro pra cima e pra baixo, não são felizes porque não dormem tranquilas, pensam que vão matá-las asfixiadas para ficarem com a grana delas.

Está vendo? Nem tudo o que aparenta ser ruim ou bom é de verdade. Depois do sofrimento alguns resultados são satisfatórios. Esse texto, por exemplo, que você o julgou ser ruim, de fato foi, não foi? Está vendo, há casos em que as regras são tão evidentes quanto as exceções. Mas se o achou ruim mesmo, no duro, está bom também!

Publicado em 19/03/2009


RITA LAVOYER







quarta-feira, 7 de março de 2012

O CIRCO NO PALCO DA PROSTITUTA

Veja só!
Quem é que vai querer acreditar
Que Templo Sagrado perde o seu altar
Quando as portas se abrem
Para a luz da ilusão.

Veja só!
Fazem sarcasmo diante do sacrário
Para atingirem o acme num ato insublime.
Há de me entender se eu aqui chorar
Por ver a natureza, num ato insano,
Se arruinando...

Ah, o Templo de Mulher
Ninguém pode violar
É lugar sagrado para a entrada do amor
Entre os parceiros deve haver o compromisso
De comungarem os mesmos ideais
E, completando um ao outro
Nesses atos de carinhos,
O Templo da Mulher será todo altar
Para ambos os amantes se tornarem
Pão e vinho.
 
Veja só!
Violação da comunhão com o amor
Sugam o líquido do santo castiçal
Depositando nele a cera fria
De uma vela sexual.

Veja só!
Essa história não é boba, não!
Nem engraçada, então preste atenção:
Templo Sagrado vira palco de circo,
Animais disputam vaga em gruta
E desfrutam do prazer de um pobre ser.

Ah, nessa história sem resumo
Ela se deita ao chão
De uma área onde ela é o consumo...
Esqueceu-se que prostituta
Não é nome pra Mulher.


Veja só!
Quem é que vai querer acreditar
Que a prostituta vende o corpo pra viver...
Ah, nesse guia em contramão
Ela arranca o coração
E faz seu Templo um circo de diversões...

Veja só!
O seu público não é nada fiel
Depois do show não lhe resta um apelo
Retiram dela o seu coro nu em pelo.
É cada um fazendo o seu papel
Num roteiro de uma história tão cruel.

Não há elo nesse selo e, sem gaiola,
Adestrado deita e rola,
Mas, ela domina o animal com o prazer
E este, já todo saciado, deixa sua presa
Ao relento, abandonada.

Veja só!
Tem que fazer sozinha a apresentação.
Se falta o riso o choro ela engole
Para salvar o dinheiro do seu pão.
De ilusão vai vivendo o dia-a-dia
Ser prostituta é o que ela não queria e,
Como palhaço veste-se de fantasias
Para poder sobreviver...
Ela é prostituta sem saber

Que toda Mulher tem o seu lado virginal
Oferece o amor e ganha bem mais por merecer.

Veja só!
A prostituta equilibra a dor
Embora dê, nunca recebe amor.
Contorcionista, se esquiva do dever
De o seu Templo respeitar.

É dissabor atrás de dissabor...
Sem cor, sem brilho a vida a carrega
Porque o seu palco é um circo itinerante
Perante o qual, muitos se divertem num instante.
No outro dia, o seu dia é tão vazio
Abre seu Templo, agora, imoral,
Porque o show deve ser sempre igual.

Veja só!
Só um vintém na noite mal passada
Malabarismo ela faz tão bem,
Para driblar o dia e tantas pedradas.
Mas, se levanta sob a tenda
E arruma o seu palco
Para outra revenda
Porque o show tem que continuar...

Ah, nessa história sem resumo
Ela se deita ao chão
De uma área onde ela é o consumo...
Esqueceu-se que prostituta
Não é nome pra Mulher.




Veja só!
É ilusionista da visão da vida
Na trajetória o nada a convida
Para tudo e o que der e viver.
Esqueceu-se que prostituta
Não é nome pra Mulher.


Veja só!
O Templo corpo agora arruinado
Onde animais adentram sem as jaulas
E, de joelhos, ela os ajuda a pecar,
Saem com o riso abastado de prazer
Enquanto outros entram para comprar
O que ela tem para revender.

Ah, o Templo de Mulher
Ninguém pode violar
É lugar sagrado para a entrada do amor
Entre os parceiros deve haver o compromisso
De comungarem os mesmos ideais
E, completando um ao outro
Nesses atos de carinhos,
O Templo da Mulher será todo altar
Para ambos os amantes se tornarem
Pão e vinho.

Veja só!
A prostituta é palco de um circo
com espetáculo chulo à luz do caos
São lhe dadas moedas falsificadas
Pelo exibicionismo.
Se restar alma nessa peça encenada
Fará das pedras seu motivo de escalada
Edificando, com elas, o seu Templo.

Porque a Mulher é maior que o abismo.
Sobre ele, a Mulher é a própria igreja
Diante dos seus pés, ajoelhe e se veja
.
Corpo de Mulher é Templo inviolável
Sobre o altar apresenta uma santa que
Só a um compete o poder de tirar-lhe o véu!


AUTORIA - RITA LAVOYER






segunda-feira, 5 de março de 2012

MULHERES INDEPENDENTES







Menininha independente -

Não é carente, tem até cartão de crédito porque é muito insistente. Grudada num celular, leva tudo numa boa, quando sai de casa diz: - “To sainu meus coroa.” Menininha educada! Tem tamanco salto alto e minissaia jeans, que está toda assinada com o nome da garotada. Tem jeitinho cobra-cega, é ligeira como lebre. Sabe dar beijo de língua que enlouquece os moleques. Na escola não se enrola e faz tudo direitinho. Descola sempre uma cola debaixo do vestidinho. “ Nóis vai, nóis foi, nóis fumo” é o jeito como fala. Faz continha com os dedinhos e nunca fica dividida. Menininha desse jeito se multiplica pra danar.

Moça independente

Tem diplomas nas paredes e fala muitos idiomas. Dirigi o próprio carro e não mora mais com os pais. É jovem evoluída. É profissional bem instruída. Ocupa cargo de chefia e comanda muitos homens. Quando ela dá as ordens todos lhe respondem: sim! As amigas que ela tem, inteligentes e saradas, estão no mesmo patamar. Como o reto acaba torto, muitas não acharam, ainda, um homem para formarem par.

Madura independente -

Toma decisões sozinha por não ter ninguém por ela. Conhece desde a infância o peso da labuta. Na luta, virou máquina e trabalhou feito uma louca para conquistar o seu espaço. Quando virou bagaço o patrão mandou-a embora.

Voltou-se para o lar e virou esposa e mãe. Agora estão criados, os filhos e o marido. Prometeu a ela mesma que o seu espaço ninguém lhe toma. Vai toda noite à escola para poder tirar diploma.

Idosa independente


Agora, aposentada, soube viver a vida. Não casou, não teve filhos, mas tem muitos sobrinhos. Trabalhou e viajou, conhece a metade do mundo. A outra parte que ainda falta vai conhecer com as amigas. Vive rindo, leva tudo numa boa, mas quando todos se recolhem fica só, com as paredes. Jura com os pés juntos não ter medo de fantasmas. Fala pra todo mundo que joga carteado com um antigo namorado que queria por esposo, mas, coitado, morreu tuberculoso.

Dona independente.

Ao som de Roberto Carlos, este homem compôs esta canção para a sua rotina.

“ O dia nem começa e eu levanto pra coar o café. Preparo a mesa e tiro a criançada da cama. Volto para o nosso quarto e visto a farda em minha dama. Ela pega a pistola e ajeita na cintura. Eu ponho as crianças no carro para levá-las à escola. Ela entra no camburão e eu a vejo ir embora. Volto logo pra casa pra lavar a roupa suja. Espano a poeira, varro o chão e vou correndo à quitanda. Eu quase posso ver os dedos dela deslizando no volante. Fico imaginando o seu charme vistoriando um assaltante. Enquanto passo o seu vestido vou fazendo uma oração. Peço ao Pai que a proteja nessa sua profissão. A minha rotina é sempre esta, sou um gato borralheiro. Fico em casa, sou doméstico, minha dona é quem traz dinheiro. O som da sirena dela abre passagem em minha pista. Quando ela chega do trabalho sou eu quem a revista. Ela se envolve em meus braços e eu me prendo inteiro nela. Eu a deito no chão encerado e arranco os seus coturnos. Massageio os pezinhos dela , eu a faço Cinderela. Controlo a minha vontade de amá-la ali mesmo. Ela sabe que eu quero ser o seu eterno preso. Ponho as crianças na cama e jantamos a luz de vela. Na rotina dos nossos lençóis ela me transforma em rei. Hoje, sou homem, sou feliz, porque a ela me entreguei. E que assim sejam todos os dias, meus dias de rotina.”



E que Deus o abençoe com esse mulherão! Homem maravilhoso! A torta de sardinha que esse homem faz deve ser uma delícia!

O quê?

Está brava porque eu não a mencionei neste texto? É mulher independente, trabalha fora, fala vários idiomas, ganha muito dinheiro, é realizada no matrimônio, teu marido é profissional realizado. Teus filhos são os melhores alunos da classe? Faz viagens pelo mundo? Joga baralho com as amigas, com suas funcionárias também? É jovem e bonita e muito feliz? Nem TPM? ...

Perai!... Um colosso igual a você não cabe num espaço pequeno igual a este. Você já está na odisséia, querida! Além do mais, este meu blog é para as ‘MULHERES’ de carne e osso, não para seres mitológicos. Psiu! Quietinha aí! Não tenho medo de você! Falsaria. Pensa que eu acredito em mar de rosas? Além do mais, como as suas estruturas conseguem carregar uma grandeza como você, hã?

Brincadeira, só falta me dizer que atinge o ponto “G”.



Rita Lavoyer









PAI REVOLTADO COM POSTAGEM DE FILHA NO FACEBOOK

PARA O PAI TER MAIS CRÉDITO, PODERIA TER DISPENSADO O CIGARRO.
EU ENTENDO A POSIÇÃO DO PAI, TENTO ENTENDER O MANIFESTO DA FILHA.
ME PERGUNTEI COMO SE RELACIONAM ENTRE ELES.
PERGUNTO-ME TAMBÉM COMO ESSES PAIS REAGIAM QUANDO A FILHA RECLAMAVA DESSAS TAREFAS A ELA IMPOSTAS.
CHEGAR A ESSE PONTO É PORQUE TEM ALGO MUITO SÉRIO NO MEIO DAS DUAS POSIÇÕES.


domingo, 4 de março de 2012

NÃO FOI MULHER POR QUERER SER





Ela não era bela, mas inventou que poderia amar. E não deu outra. Quis se apaixonar por um rapaz que, possivelmente, lhe daria um beijo. Ela se entusiasmou com aquele sonho de ser beijada. Um encontro poderia ser a solução àquelas vertigens que a acometiam em noites mal sonhadas.

De tanto que ela pedia, ele cedeu. Ele não era lá grande coisa. Mas na balança das necessidades o peso completa o leve. Ambos se equivalem à medida das circunstâncias.

Queria estar radiante para aquele primeiro encontro. Quis mudar os cabelos ruins, torná-los mais lisos, macios e cheirosos. Não tinha nada para passar neles a não ser o pedaço de sabão que era dividido com o banheiro, o tanque e a cozinha.

Procurou um meio de, naquela noite, estar diferente do seu ranço diário. Não encontrava nada que pudesse tirar-lhe o mau cheiro. Sabia que ele encostaria o seu rosto no rosto dela. Ela desejava aquele beijo mais do que a quem o daria. Precisava do beijo.

O horário já se aproximava e não tinha nada que melhorasse o seu aroma para a ocasião. Com as roupas não se preocupava, iria com a única que tinha, já era parte integrante do seu corpo. No desespero de não decepcionar no primeiro beijo que receberia, saiu!

Demorou muito e nem deram por sua ausência naquele lugar em que ficava para viver. Mas deram quando a polícia bateu à porta informando que a moça feia de cabelos ruins fora presa por furtar em uma perfumaria um frasco de xampu.

Não havia o superior estudo e numa cela foi igualada. Estava lotada e continuou apanhando ali também.

Retiraram-na ensanguentada e a levaram para uma sala vazia, onde ninguém nada via, nem ouvia.

Alguém de farda encarregou-se de aumentar ainda mais o fardo daquela moça feia de cabelos ruins que sonhava estar cheirosa para um beijo, o seu primeiro. Atravessou-lhe o olho, vazando-o. O sangue que jorrava entupiu-lhe os berros que queriam escapar pela sua boca.

Infeliz! Ainda bem que foi vazada. Se a deixassem impune de tão hediondo crime o que mais poderia vir a roubar depois? Carne no supermercado para aquele que poderia vir a ser o seu marido por causa de um beijo cheiroso, ou remédio na farmácia para os futuros filhos seus?

Encolhida em sua cela, cerra-se uma visão sua, ajudando-a a sonhar menos em ter seus cabelos cheirosos para serem tocados antes de um beijo que não teve coragem de roubar, porque o queria doado, amado, saboreado.

Roubou o errado. Ele não lhe valeu a pena. Agora pena aí, saboreie o amargo do xampu nos rasgões do seu corpo, enquanto o tempo lambe o beijo que deixou fugir da sua boca.

O maior crime que uma mulher pode cometer a si mesma é deixar escapar a oportunidade do desejo, esse que somente ela é capaz de fazer nascer.

Vá mulher, roube-o agora. O beijo.



Rita Lavoyer



DIA DA MULHER







“Pode-se julgar o grau de civilização de um povo segundo a situação social que nela usufrui a mulher.” Sarmiento. Argentina, 1872.



Dia 08 de março comemora-se o “Dia Internacional da Mulher”.

Dia 30 de abril, “Dia Nacional da Mulher”.

Sabemos que datas comemorativas, muitas vezes, são em homenagens aos que sofreram pagando com a própria vida. Mas não há mulheres, homens e crianças pagando com a própria vida todos os dias sem sequer saberem as causas de seus martírios? Homenagear o ser humano todos os dias não seria o mais correto? Será isso possível? Na falta de respostas vamos direto a alguns fatos.

Algumas ainda dizem:

_ Hoje não! Estou com dor de cabeça!

Os homens da idade da pedra, para conseguirem dominar as mulheres, que muitas vezes os rejeitavam, faziam uso de pedras ou qualquer objeto que lhes servissem de porrete. Acertavam a cabeça das vítimas até que elas desmaiassem e assim as possuíam. Primeira lei do homem: a força.

Quando uma ou outra sobrevivente recobrava-se do ataque urrava “hu!hu!hu!”

Como ainda não tinha conhecimento das palavras, o primata achava que aquela sua semelhante havia gostado da coisa e acertar a cabeça das presas dando lhes pancadas passou a ser rotina, e assim aconteciam os acasalamentos. Que pena a rotina ainda se repetir em alguns cantos tão próximos de nós.

Hoje, o correto é fazer uso de expressões que se enquadrem ao contexto nacional.

“Hoje não! Estou com dengue” ou “os ministros da Dilma não transmitem confiança" ou "os estádios não apresentam condições para os jogos da Copa do Mundo no Brasil"  Há tantos problemas, escolher um atualizado para você não se acasalar não será difícil.

Essas datas comemorativas precisam se aproximar mais de nós. Além dos dias “Internacional, Nacional da Mulher”, o correto é o

“Dia Municipal da Mulher”,

proponho até o dia : 02 de Fevereiro, véspera de São Brás, por acaso o aniversário de alguém que eu conheço,  para que todos lembrem-se de que uma mulher nunca deverá ficar engasgada com suas vontades, e também aproveitar para tirar folga de tudo. Será o dia em que a população masculina trabalhará mais. Quer ver?

Nesta data a mulher vai dizer, dependendo da situação em que se encontra a cidade onde mora, se for araçatubense, por exemplo, dirá:

_ Hoje não! Estou com dor nos buracos.

Ai, ai, ai! Que barbaridade de metáfora!

Se isso pega, meu amigo, marido de verdade vai sair de pau nas mãos para acertar a cabeça daqueles que não tomam providencias para solucionar os problemas a que se propuseram resolver. Parece que já estou ouvindo vizinhos chiarem.

Está vendo o poder das mulheres? Lisístrata, de Aristófanes, pensava assim também. Achava que a mulher tinha o poder de acabar com a guerra. (O que proponho não é nenhuma guerra, por favor) É só colocá-lo em prática e mandar os homens trabalharem. Mexa com o brio deles para ver se as coisas não começam a funcionar. Está certo que uns e outros se voltarão contra essa ideia, afinal de contas cada um vê o buraco de acordo com o seu anglo, e algumas mulheres continuarão levando na cabeça por causa de homens mal resolvidos.

Vão me dizer que incito a violência?!

Verdade, isso não é nada civilizado. Mas que um dia Municipal da Mulher vai cair muito bem, ô como vai!

Infelizmente ainda há mulheres que continuam sendo objetos dos sagazes, pisoteadas em suas intimidades tendo os seus ideais castrados a olhos nus. Elas acabam, depois do holocausto, sendo artigos de pesquisas e números de estatísticas.

Que bom seria se fossemos mais civilizados e que datas especiais não precisassem ser criadas para chamar a atenção ou para homenagear pessoas que perderam suas vidas em situações desumanas, em especial crianças e mulheres. Mas... segundo a situação social da qual fazemos parte, as datas-homenagem ainda se fazem necessárias.

Não queria “uma data especial para mulheres”. Quero os meus dias a todo instante e a todas as mulheres na mesma proporção.

Parabéns por todos os instantes do seu dia, MULHER, HOMEM que se faz respeitar e a todas as CRIANÇAS que tornam os momentos de mulheres e homens muito mais significativos.

Parabéns aos dias de ontem, de hoje e de amanhã que pertencem à mulher, porque neles “há o nós”, sem os quais não haveria razão alguma para o amanhecer e nada a comemorar e, obrigada Senhor pela força que nos dá, a todo instante, para vencermos as pedras dos nossos caminhos, edificando assim o nosso espírito para que, com ele fortalecido não fiquemos indiferentes diante de tantas injustiças cometidas contra todos nós, todos os dias.

oBS. Esse texto foi publicado aqui em abril de 2009.
Fiz apenas dois acrescimos -Dilma e estádios da copa.


Rita Lavoyer